Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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02/12/2015 - “Haverá no céu alegria por um só pecador que se converte” (Lc 15,7).


No Jubileu Extraordinário da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco, na Bula Misericordiae Vultus, podemos refletir, rezar e contemplar este mistério a partir de várias passagens bíblicas, mas algumas são mais significativas, como as parábolas do capítulo 15 do Evangelho de são Lucas.
Lucas 15 é o centro da revelação. As parábolas da ovelha, da moeda e do pai misericordioso revelam o conteúdo central da mensagem do Evangelho: Deus nos ama e quer nos salvar. Ele ama os pecadores com seu amor misericordioso e gratuito.
Como o pastor procura a ovelha desgarrada, assim o Pai procura e traz de volta quem se perdeu. Jesus é a encarnação da misericórdia de Deus. Ele vem em busca da humanidade perdida. Toma a iniciativa em nos salvar.
A ovelha tem fome de pastos que não são do Senhor. Quantas vezes desconfiamos de Deus e achamos que o pasto lá fora é melhor?
Na parábola da moeda perdida Deus é comparado a uma “dona de casa” zelosa que procura a moeda. Uma moeda sem valor. Ele procura quem não tem valor. A Trindade abaixa-se para nos buscar (kénosis). Sou a moeda que Deus procura. Quando percebi o Senhor me procurando?
A mulher encontra a moeda no meio do lixo. É também nas situações de decadências e misérias que Deus nos procura. E como Ele se alegra quando nos encontra!
A parábola lembra a ternura de Deus na mulher que procura a moeda. Somos de imenso valor para o Senhor, como a moeda para a mulher. Deus é mais mãe que minha mãe, pois me teceu desde o ventre materno. Sinto-me precioso aos olhos de Deus? Eu acredito no seu amor? Pedir ao Senhor que eu me deixe encontrar.
O pai é a figura central na história. Características do pai: a humildade – respeita a liberdade do filho, aceita limitar o seu poder; a esperança – espera o regresso do filho; a misericórdia – não olha o seu pecado, mas o seu coração arrependido; o seu amor pelos dois filhos transforma-os em irmãos; a coragem – vai ao encontro do filho, a sua autoridade não está na distância, mas no amor; a alegria – a volta do filho provoca festa e alegria, é sinal de vida; o sofrimento – a parábola revela um Deus que sofre, porque ama, não é indiferente.
O filho mais jovem. O seu pecado é deixar o que tem de mais valioso para viver só. O pecado é a divisão dos bens. É o pecado da riqueza, da vontade de ser dono de sua vida, de querer colocar-se no lugar de Deus, de separar-se dele. O pecado é a separação de Deus. A tragédia do pecado é a degradação.
É muito importante o caminho de volta. Precisamos chegar a Deus como pobres e confessar a nossa culpa. A experiência da degradação e do silêncio gera a conversão. A salvação do filho acontece na humildade, no reconhecimento de suas necessidades e na coragem de dizer a verdade sobre si. É importante reconhecer o exílio exterior, que é a saudade de casa. Mas muito mais importante é reconhecer o exílio interior, a raiz profunda do mal, o reconhecimento que pecamos contra Deus.
O filho mais velho. É digno de todos os elogios, pois nunca transgrediu nada. Mas não compreende as atitudes do pai. É distante. O seu pecado é não perdoar. Nunca entendeu o que é o amor. A vizinhança exterior não significa a vizinhança do coração.
A figura do filho mais velho é a figura do fariseu. Os fariseus tinham uma compreensão equivocada da justiça. Para eles, a salvação é mérito humano. O homem dá o primeiro passo. Deus retribui como devedor, de acordo com as obras. Essa compreensão de Deus e da religião é estreita, fechada e exclusivista. Muitos não participam da graça. Mas ela é para todos.
Deus vem a nós na pessoa de Jesus para nos resgatar. Ele vem em busca da humanidade ferida para curar. Ama sem olhar a nossa condição. Ele vê as nossas necessidades e vem nos salvar.
As parábolas continuam em nossa vida. Elas nos convidam a celebrarmos a misericórdia do Pai. Somos a ovelha desgarrada, a moeda perdida que Deus procura no meio do lixo, o filho que quer viver só e fazer da vida o que bem entender, como se Deus não existisse, o filho que se fecha na sua justiça e não entende o que é o perdão e o amor.

 

Dom Paulo Roberto Beloto, 
Bispo de Franca – SP.