Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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21/07/2019 - 17º Domingo do Tempo Comum


Lucas 11,1-13 trata da oração de Jesus. Ele foi uma pessoa de profunda comunhão com Deus. A sua vida foi uma oração permanente. Lucas é o evangelista que mais apresenta Jesus rezando. É o Mestre de oração.

A oração de Jesus é simples, não é uma fórmula, mas uma atitude de vidas. Ele nos ensina a nos apresentarmos diante do Pai totalmente despojados. O objetivo primeiro e último da oração é o Senhor. A sua oração está em sintonia com a missão de fazer a vontade do Pai.

Há duas versões do Pai nosso: a de Mateus (Mt 6,9-13), com sete pedidos, e a de Lucas, com cinco. O conteúdo se aproxima. “A tradição litúrgica da Igreja conservou o texto de São Mateus” (CIC,2759).

“A oração do Senhor é realmente o resumo de todo o Evangelho”, “a mais perfeita das orações”. Está no centro das Escrituras” (CIC, 2774). Recebemos das mãos do Senhor este grande presente.

A oração do Senhor foi ensinada e dada por ele. É a oração da Igreja, pois está presente na vida e na liturgia da mesma. Está presente no Ofício divino e nas celebrações dos sacramentos. O Pai nosso é a nossa oração.

O Pai nosso possui um corpo. Primeiro, coloca-nos na presença de Deus para adorá-lo e bendizê-lo. Após essa experiência, trata dos pedidos.

As primeiras petições são três, e estão voltadas para Deus: Nome, Reino e Vontade. A segunda parte do Pai nosso fala das nossas necessidades: pão, perdão luta contra a tentação e o maligno. A primeira parte destaca a missão da comunidade cristã diante de Deus, a segunda, a constante necessidade de conversão.

Jesus nos ensinou a chamar a Deus de Pai. Abbá, em aramaico, é pai, papaizinho. Era o modo de a criança chamar seu pai, com toda a confiança. Ele nos ensina a ter um relacionamento filial com Deus, pessoal e familiar. Invocar a Deus como Pai é uma “bênção de adoração” (CIC, 2781), uma atitude de louvor. Quando rezamos ao Pai, devemos despertar em nós o desejo e a vontade de assemelhar-se a Ele.

Deus é nosso Pai. Nós somos seu povo e seu rebanho. A oração do Pai nosso é o bem comum dos cristãos. É um convite à unidade, à fraternidade e a comunhão dos filhos.

“Céu” significa “uma maneira de ser; não o afastamento de Deus, mas a sua majestade” (CIC, 2794), sua transcendência, sua santidade, seu amor, de sua beleza.

“Depois de nos ter posto na presença de Deus, nosso Pai, para adorá-lo, amá-lo e bendizê-lo, o Espírito filial faz brotar de nossos corações sete pedidos... três (vosso nome, vosso reino, vossa vontade) que “nos atraem para a glória do Pai”; quatro (pão, perdão, luta contra a tentação e o maligno) “como caminhos para Ele” (CIC, 2803).

O desejo de Jesus é que o Nome do Pai seja santificado. A santidade de Deus é o centro de seu mistério, é a sua glória, a sua majestade. É o próprio Pai que santifica ou dá a conhecer o seu nome. Mas também pedimos que nós estejamos abertos para acolher essa graça. Se vivermos bem, o Nome divino é bendito.

No Pai nosso pedimos a presença e a realização do Reino. Ele é a nossa esperança. O Reino é dom do Espírito. Livremente, com a graça de Deus, participamos na sua construção. “O Reino de Deus não é comida e bebida, mas é justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17).

A vontade do Pai é “Que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,4). Deus quer a prática do amor e da justiça, a nossa reconciliação em Cristo, a nossa santificação. Fazer a vontade de Deus é fonte de integração pessoal.

A segunda parte do Pai nosso trata das nossas necessidades. Iniciamos pedindo o pão. Quando fazemos este pedido, depositamos em nosso Pai do céu toda confiança e abandono. Ele é o Deus que “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos” (Mt 5,45). Pedimos o pão, alimento básico para a nossa vida. Pedimos também o pão espiritual, o pão da Palavra, pois temos fome da Palavra de Deus e da sua vida (Am 8,11). Pedimos o pão da Eucaristia, alimento essencial em nossa fé.

No centro das petições do Pai nosso encontramo-nos com a realidade do perdão. Deus é misericórdia e perdão. Acolhemos o seu perdão e procuramos colocá-lo em prática nos nossos relacionamentos.

Depois de percorrer a caminhada das cinco petições, estamos preparados para discernir a voz de Deus e não nos deixar enganar pela voz do tentador. O mal se opõe a Deus. É inimigo da obra da salvação realizada em Jesus Cristo. O mal que a última petição do Pai nosso apresenta como o grande pecado é a apostasia, o afastamento da fé e do projeto de Jesus.

Ao dizer Amém, estou afirmando que “tudo o que está contido na oração que Deus nos ensinou” (CIC, 2856), aconteça.

O Pai nosso é uma escola de vida. Ele expressa os grandes desejos de Jesus, que são os desejos do Pai e do seu Espírito. O discípulo aprende a rezar o Pai nosso quando acolhe na vida as inspirações do mesmo Espírito. Espírito que nos faz vibrar com os mesmos desejos de Jesus de Nazaré.

Jesus nos ensina que a oração deve ser constante e sem constrangimento. O Pai nos ouve, com certeza, e sempre responde. Devemos sempre alimentar a esperança da manifestação da sua bondade. Ele sabe do que precisamos. Ele nos concede o bem maior: o Espírito Santo (Lc 11,5-13). A sua misericórdia vai até salvar toda a humanidade (Gn 18,2-32).

Ser cristão é celebrar e viver a gratuidade do amor, da liberdade e da salvação; a graça da remissão dos pecados concedida por Jesus na cruz (Cl 2,12-14).

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano,