Franca, 13 de Outubro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

03/09/2019 - 23º domingo do Tempo Comum


Estamos seguindo Jesus no caminho para Jerusalém. Esta foi uma decisão sua (Lc 9,51). Em Jerusalém aconteceu a sua entrega definitiva ao Pai, com a morte na cruz (Lc 23,46).

No caminho, Jesus apresenta os critérios e as exigências para o seguimento e a participação no Reino: praticar a justiça (Lc 13,27), a humildade e a gratuidade (Lc 14,7-14). Eles expressam a vontade de Deus.

Seguindo nas orientações, Jesus estipula a decisão pelo Reino como um ato de renúncia radical (Lc 14,25-33): ser discípulo é mais importante do que tudo. É uma escolha decisiva e radical.

Reino é absoluto e todas as outras coisas – até a própria vida, vêm em segundo lugar. Elas passam “como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas a tarde é cortada e logo seca” (Sl 89(90), 5-6). Por isso, quem segue a Jesus deve viver o desapego. Não se pede para odiar a família, mas Deus está em primeiro lugar. O discípulo desapega-se até da própria vida. Só Ele basta.

Renunciar a tudo pelo Reino não é um peso. Mas é realização e alegria. É caminho de salvação. Assumir a opção pelo Reino é tomar uma decisão consciente, calculada, ponderada, planejada, amadurecida e coerente. Ser cristão é assumir riscos, é fazer opções que determinam a vida.

“Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,27).

Algumas dimensões da cruz em nossa vida.

A cruz da vida cotidiana: a monotonia de uma vida sem brilho, a cada dia. A cruz das diversas atividades rotineiras. A cruz da missão que exerço. A cruz da vocação, da espera, do discernimento. A cruz da idade, da doença, de uma deficiência, de uma perda. É preciso aprender a descobrir o valor de uma vida simples. Quem vive no amor sabe ver a realidade comum com um esplendor particular. Devemos aprender a viver as lições do dia-a-dia: ele é o nosso mestre. O momento presente é o caminho mais simples e mais seguro para se chegar à santidade.

A cruz da comunidade: a família, a comunidade religiosa, a paróquia, o local de serviço. Sei conviver? Sofro como Jesus, com os que sofrem, com aquela pessoa que me causa dor? Sofro com a Igreja e pela Igreja? Como reajo diante dos fracassos e incompreensões?

A cruz da vida espiritual. Raramente a nossa vida espiritual é como desejamos. É feita de altos e baixos. Enfrentamos os nossos problemas, os nossos apegos, as nossas crises e dificuldades.

Como carregamos as nossas cruzes? É preciso olhar para Jesus e não desanimar, mas continuar oferecendo a vida. Atrás de cada experiência de dor, sofrimento e limites pode haver um amor maior. “Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus” E nada “será capaz de nos separar do seu amor”, “que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,28.39). Enquanto mantivermos o combate, estaremos amando a Deus, e com certeza Ele sempre nos ama.

Fm 9-10.12-17. A carta a Filêmon é uma obra prima. É o mais breve, mas mais original e comovente texto de Paulo. Revela a sua personalidade e o evangelho que pregava. É um testemunho da sua prática pastoral. O objetivo desta carta é mostrar a força do amor cristão.

Paulo está preso. Ali é procurado por Onésimo, um escravo que fugiu da casa do seu senhor, Filêmon. Acabou convertendo-se ao cristianismo. Paulo envia Onésimo de volta ao seu dono, pedindo a este que o receba como irmão.

Filêmon é provavelmente um animador de comunidade. É conhecido de Paulo. A carta fala que ele tem uma dívida com Paulo: talvez o dom da fé e da salvação.

Parece que Paulo convenceu Onésimo a voltar para casa. Qual é a sua intenção? Aproveitar de uma situação para pôr em prática o Evangelho. Ele desafia Filêmon a receber Onésimo como irmão. Exorta, mas não obriga. Filêmon deve agir por vontade própria, na liberdade, não por obediência. Paulo quer que o mesmo trate Onésimo como irmão em virtude da solidariedade cristã. O importante é o seu bem.

Seguir Jesus supõe fazer uma opção fundamental que determina todas as outras escolhas. É deixar-se guiar pelo Espírito, que gera pessoas livres. É viver a sabedoria, procurar a vontade de Deus e orientar-se por ela. É viver o amor.

O amor cristão, revelado, vivido e indicado por Jesus, gera uma revolução, não pela força das ideias, mas pela força do Espírito de Deus.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.