Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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31/05/2016 - “Coração santo, tu reinarás, tu, nosso encanto, sempre serás!”


Este é um verso de um antigo e belíssimo canto popular do devocional católico, que expressa à santidade do Coração de Jesus, seu amor por nós e indicação para a nossa vida cristã.
O coração não é apenas um órgão muscular do corpo humano, localizado abaixo do osso anterior do tórax, composto de sistemas de bombeamento, átrio e ventrículo, enviando, através das artérias sangue rico em oxigênio às células do nosso organismo. Já aqui estão a complexidade, a beleza e a necessidade do coração para a vida do ser humano.
Mas o coração vai além destas funções naturais. Está presente no nosso imaginário simbólico, lembrando a interioridade do nosso ser, “onde a pessoa se decide ou não por Deus” (CIC, 368).
O coração na Bíblia indica a profundidade do ser humano. É lugar da abertura para Deus e para os irmãos.
Quando falamos Sagrado Coração de Jesus, estamos falando do ser de Deus. O Coração de Jesus é a revelação do seu ser. É o “símbolo real de todo amor de Cristo pelos homens” (K. Rahner). “Este coração pulsa com o sangue humano, que foi derramado na cruz. Este coração pulsa com todo o amor que está eternamente em Deus. Com este amor ele está sempre aberto para nós, através da ferida aberta pela lança do centurião, na cruz” (São João Paulo II). Por isso, do lado aberto de Jesus, jorraram sangue é agua, sinais dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia, segundo os santos padres da Igreja. Atraídos pelo coração de Jesus, podemos “beber, com perene alegria, na fonte salvadora” (Prefácio da solenidade do Sagrado Coração de Jesus).
Jesus é a epifania da ternura de Deus. É a encarnação da bondade, da compaixão e da misericórdia do Pai. Jesus só nos vê com o coração, por isso conhece as nossas necessidades e só consegue ver em nós o que é bom.
No coração compassivo de Jesus encontramos alento, abrigo, proteção, perdão e amor.
Como é bom sentirmo-nos amados por Deus. Encontrá-lo é fazer a experiência do seu amor e do seu perdão. Como o discípulo amado (cf. Jo 13,25), inclinamos nossa cabeça sobre o peito de Jesus, acolhendo todo amor do seu coração. Esta experiência orienta e determina a nossa existência.  
Fazer a experiência do coração eucarístico de Jesus gera em nós também um coração eucarístico, que sabe acolher, perdoar e amar. É converter o nosso coração como albergue de sentimentos negativos para torná-lo lugar de profunda alegria e sentimentos cristãos. 
O nosso coração como órgão de nosso corpo humano realiza dois movimentos: sístole, contração das suas fibras musculares; e diástole, movimento de dilatação, após a fase de contração. O coração espiritual precisa acolher o amor de Jesus, para depois dilatá-lo, derramando esse amor a todos que convivem conosco.
 
 
 
          Dom Paulo Roberto Beloto,
                                                            Bispo de Franca – SP