Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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03/06/2016 - Dia da Santificação Sacerdotal


Dia de santificação sacerdotal: “A vontade de Deus é que sejais santos” (1Ts 4,3).

1 - Perigos e dificuldades na vida espiritual.

Superficialidade; minimismo; mediocridade; incoerência de vida; ambiente negativo; falta de espontaneidade, falta de docilidade ao Espírito, tempo limitado, lugar adequado para rezar, cansaço, desalento, fadiga, aridez, distrações.

Santa Teresa dizia que as dificuldades são uma graça para nos conhecermos a nós próprios. Elas não podem impedir o caminho para Deus. Ele quer que “haja securas e nos persigam maus pensamentos e nos aflijam, sem os podermos afastar de nós”, dizia a santa carmelita. Nunca devemos abandonar a experiência de Deus por causa de nossos pecados, pois “deixar a oração é perder o caminho”.

2 – Passos para a santidade.

“A mesma santidade dos presbíteros por sua vez contribui muitíssimo para cumprirem com fruto o próprio ministério” (PO, 12).

A santidade é a nossa participação na vida divina. É viver a graça.

O Batismo nos confere a santidade: criaturas novas, filhos de Deus, templos do Espírito Santo. Por isso, ser santo é viver a dignidade deste sacramento.

A santidade é dom de Deus, é dom do Espírito. Ser santo é viver segundo o Espírito. A santidade é vontade de Deus: ele quer um povo que se parece com Ele no modo de ser, existir, pensar, desejar, sentir e agir. A santidade é dom de Deus, mas Ele conta com a nossa colaboração. Alguns passos são importantes.

Buscar a Deus.

Se Deus é santo, o primeiro passo para a santidade é o encontro pessoal com Ele.
Não vivemos sem o amor do Pai, sem a graça de Jesus Cristo e sem a comunhão e a força do Espírito.

Deus é fonte de vida, amor, liberdade, salvação e santidade. Devemos amá-lo acima de tudo. Só a Ele devemos adorar, temer e servir.

O decálogo (Ex 20,1-17) apresenta a fidelidade a Deus como o ponto de partida. Esta fidelidade é o coração do decálogo. Viver a religião é servir a Deus. É amá-lo com o coração, a alma e o espírito.

Só funcionamos no Senhor. Sem Ele, não somos nada.

Quando o coração do ser humano está em Deus, torna-se dependente dele. Torna-se “barro nas mãos do oleiro”. “O coração do ser humano estará insatisfeito até o dia em que encontrar o verdadeiro repouso que é a experiência de Deus” (Santo Agostinho).

Deus é o Sumo Bem. É suficiente. Tudo perde o sentido sem a comunhão com Ele.
Vida de oração.

A oração é o meio de se entrar em comunhão com Deus. Sem ela, ficamos às escuras sobre Deus e sobre nós mesmos. A oração é um caminho para acolhermos a santidade. Sem a vida interior e sem oração não há fiel consagração, eficácia no apostolado e caminho de santidade.

O presbítero imita a Jesus que reza. A vida do Senhor foi uma oração permanente. Os evangelhos o apresentam rezando com muita frequência. Para Ele, o fim último da oração era a sua comunhão com o Pai. A sua oração está em sintonia com a missão de fazer a vontade do Pai.

Jesus rezava nas diversas circunstâncias de sua vida e missão. Mas Ele realizou a perfeição da oração na paixão e morte. Ali acontece o perfeito encontro entre Deus e o homem. A oração tornou-se um ato de oferecimento e oblação. A oração do Senhor acontece na aceitação do cálice. No drama do abandono, da humilhação, do desprezo, da condenação, da dor e da morte, Jesus fica só com o Pai. Só Ele conta.

A ressurreição é o coroamento da oração de Jesus. Ele vai para o Pai, mas está presente. Agora, a nossa oração é atendida em Jesus, pois nele Deus se comunica. Ele é o único mediador entre Deus e os homens. Em Jesus abre-se o caminho para a relação com Deus e entre os homens: uma relação de amor.

A nossa vocação supõe um permanente viver em Cristo. A missão e o apostolado não acontecem sem a comunhão com o Senhor. “O tempo para estar na presença de Deus na oração é uma verdadeira prioridade pastoral” (Bento XVI).

É na intimidade da oração que aprendemos e nos reabastecemos para o apostolado. A ação vem após a meditação e a oração. Ela brota de Deus. É no silêncio e na solidão do deserto que penetramos no profundo de nossa vocação.

“Se queres começar a possuir a luz de Deus, reza; se já estas empenhado na subida da perfeição e queres que esta luz cresça em ti, reza; se queres a fé, reza; se queres a esperança, reza; se queres a caridade, reza; se queres a pobreza, reza; se queres a obediência, a castidade, humildade, a mansidão, a fortaleza, reza; seja qual for a virtude a que aspira, reza...
Quanto mais tentado fores, tanto mais insiste na oração. É em virtude da tua oração contínua que mereces ser tentado e é em virtude da oração contínua que mereces ser libertado das tentações; de fato, a oração dá luz, livra-te das tentações, purifica-te, une-te a Deus” (B.Ângela de Foligno).

Vida sacramental.

Os sacramentos destinam-se à nossa santificação (SC, 59), principalmente a Eucaristia, que contém todo o bem espiritual da Igreja, que é o próprio Cristo, e a Confissão, remédio que cura as feridas provocadas pelo pecado e nos recupera para a graça.

Na Eucaristia encontramos o nosso refúgio e o nosso melhor repouso. Eucaristia é doação e entrega, sacrifício visível na qual se atualiza o sacrifício de Cristo na cruz. No altar e na cruz é o mesmo sacerdote e a mesma vítima. Jesus faz de sua vida uma oblação, um serviço de amor que é celebrado na Ceia e culmina na Cruz. Ali temos uma teologia de como devemos nos comportar. A nossa vida é uma eucaristia.

“A missa é o momento alto do meu dia. Posso ter os encontros mais espetaculares, posso ter conferências a fazer, nada se compara com o momento da missa. Porque – é claro, eu sei – nós estamos mergulhados em Deus o dia inteiro. E somos um com Cristo. Mas, na hora da missa, Cristo vem celebrar. Ele é o verdadeiro celebrante, o verdadeiro sacerdote, o sumo e eterno sacerdote. Eu estou ali apenas como celebrante visível” (Dom Helder Pessoa Camara).

Obediência à Palavra.

Deus nos fala, nos exorta, nos ensina, orienta a nossa vida e nos santifica mediante a sua Palavra. Por isso pedimos que a Palavra de Deus transforme a nossa vida e nos ajude caminhar com retidão na sua luz.

Para os nós, a Bíblia é sustento, vigor, luz, firmeza de fé, alimento para a alma. Aponta um caminho de vida: caminho de retidão e de dom total, o caminho de Jesus de Nazaré.

A Bíblia contém as primeiras palavras da fé. Nela aprendemos as grandes lições para a nossa vida, a verdade útil para a nossa salvação, o amor de Deus, sua redenção oferecida na pessoa de Jesus Cristo.

Devoção à Maria.

Busco a santidade na minha devoção à Maria. Ela é a “cheia de graça” (Lc1,28). “Em vista dos méritos de seu Filho, foi redimida de um modo mais sublime” (LG, 53), e “pela graça de Deus, permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida” (CIC, 493). Maria é estímulo a honrar em cada um de nós o estado de graça e amizade com Deus, a comunhão com Ele, a unção do Espírito, enfim, santidade.

Ela é uma escola de virtudes: fé, esperança, caridade, gratidão, castidade, pobreza, obediência. Mulher de profunda oração.

Devoção aos santos.

Nos santos e santas Deus nos oferece exemplos para a nossa vida, a comunhão que nos une e a intercessão que nos ajuda. Com eles aprendemos a ser sinal na terra e a glória de Deus no céu.

Ascese.

A santidade é graça do Senhor, mas precisamos de uma disciplina, um exercício ascético que nos ajuda a acolher e a viver nela. Precisamos saber orientar, educar, disciplinas e canalizar os nossos sentimentos, afetos e atitudes para o bem e para a santidade.

Direção espiritual.

O caminho da santidade exige também orientação, direção, testemunho e experiência de pessoas santas. É necessária a presença de alguém que nos ajuda a discernir e a nos aconselhar e corrigir para o caminho da santidade.

Prática das virtudes.

A ascese exige das pessoas santas a prática das virtudes, os frutos do Espírito e a vivência das bem-aventuranças: a fé, a esperança, o amor, a alegria, a paz, a paciência, a amabilidade, a bondade, a lealdade, a mansidão, o domínio próprio, a pureza, a pobreza no espírito, a prática da justiça, a misericórdia, (cf. Gl 5,22-23; Mt 5,3-11).

Viver o momento presente.

Vivemos a santidade no dia-a-dia, nas coisas corriqueiras, nas atividades normais, quando assumidas como lugares da presença e manifestação de Deus. Ele está escondido no trabalho cotidiano com todas as suas experiências, alegrias e durezas. Deus se esconde na vida. O que me leva para Ele são as minhas fraquezas e decepções. Pois quando chego ao fim de minhas possibilidades estou aberto para uma relação pessoal com Ele e só nele posso encontrar força, esperança, luzes e santidade. O caminho da santidade não consiste na ausência de falhas e pecados, mas na total confiança em Deus.

Amor à Igreja.

Vivo a santidade na minha comunhão com a Igreja, minha mãe, como ela é, com as suas debilidades, mas também com as suas conquistas, pois ela triunfa pela ação do Espírito.

Amor aos irmãos.

Vivo a santidade no meu relacionamento com os irmãos, no meu amor aos pobres e necessitados.

Prestamos culto a Deus, quando amamos os irmãos, quando valorizamos a vida, a dignidade e a liberdade de cada pessoa.

O amor a Deus está em sintonia com o amor ao próximo. A relação com Deus e com os irmãos não se opõe nem se separa. Não pode construir-se e desenvolver-se um diálogo com Deus a não ser a partir de um dialogo com o próximo. Estar com Deus é estar como irmão. Chega-se a Deus pela passagem obrigatória pelo próximo.

“Sim, eu o sinto, quando sou caridosa, é Jesus que age em mim; quanto mais unida sou a ele, tanto mais amo todas as minhas irmãs” (Santa Teresinha).

Amor à criação.

“E Deus viu que era bom” (Gn 1,10). A Encíclica do Papa Francisco, “Laudato si” – Louvado sejas, meu Senhor! Sobre o cuidado da casa comum, trata da ecologia humana e o clima; desafios da preservação, prevenção e proteção da criação.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo de Franca – SP.