Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

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22/08/2016 - Eleições Municipais 2016


Em vista das próximas eleições para os cargos eletivos de prefeitos e vereadores das respectivas prefeituras e câmaras municipais, é importante a reflexão sobre alguns pontos e orientações aos candidatos, aos eleitores e a todos os interessados.
Estamos vivendo no país um momento delicado, que envolve os políticos em muitos escândalos, gerando na população certo desencanto, dúvidas e decepções. Contudo, sabemos da urgência da política como cuidado das coisas públicas e a finalidade de garantir o bem comum da sociedade e promover a justiça. Não podemos perder de vista essas verdades.
Em outubro, o eleitor brasileiro irá mais uma vez exercer a sua missão de cidadão e cidadã nas eleições municipais, escolhendo prefeitos (as), vices e vereadores (as). É ocasião de cada um expressar seu direito e dever, sua liberdade e responsabilidade, participando com o seu voto.
As eleições municipais são mais próximas dos eleitores, estão relacionadas com os problemas do nosso dia-a-dia, como a educação, a saúde, a segurança, o trabalho, o transporte, a moradia, o saneamento básico, a ecologia, o melhoramento das ruas e praças, a limpeza da cidade e o lazer. Se quisermos transformar o Brasil, devemos começar pelos nossos municípios. 
Como participar?
A missão de qualquer candidato é árdua, diante dos desafios de uma campanha eleitoral transparente e ética. Mas é possível e urgente um caminho reto, justo e dentro dos preceitos da lei.
Por isso, esperamos dos candidatos um compromisso com o bem público, com as necessidades de nossas cidades, com os eleitores e a população em geral. Daí a necessidade de uma campanha limpa e sincera, que expõe com clareza as propostas de administração; que educa os eleitores e tem um programa coerente; incentiva o estudo e o debate das soluções políticas para os municípios; que evita a corrupção eleitoral, tentando comprar votos, aliciando eleitores ou usando da máquina administrativa de modo indevido para benefícios próprios. 
Orientamos para alguns pontos essenciais, tendo em vista uma campanha eleitoral e programa político justo e coerente:
 
A defesa da vida como dom inviolável, desde a sua concepção até a morte natural;
A defesa da família como instituição básica para o ser humano;
compromisso e conduta ética com as políticas públicas;
O direito à educação com qualidade para todos;
compromisso com a formação religiosa e moral, com a saúde, com o transporte e o trabalho digno para todos;
A solidariedade com os mais pobres;
A posição contrária à corrupção eleitoral;
O envolvimento com os problemas da cidade;
A defesa do meio ambiente;
A experiência e formação política;
Evitar gastos exorbitantes na campanhas.
 
Para os candidatos católicos que têm um cargo ou uma função nas pastorais e movimentos, orientamos que se afastem durante o período da campanha, para se evitar ambiguidades e inibir a liberdade e vontade do eleitor.
É preciso que cada eleitor exerça o direito do voto com consciência e seriedade. Sua decisão tem implicações para a vida do povo e para o futuro. É preciso saber escolher. Voto não tem preço, tem consequências. É preciso respeitar a liberdade de escolha de cada um, as diferenças, sem criar divisões e inimizades.
Algumas orientações importantes para os eleitores:
cada eleitor deve saber o valor do seu voto, expressão de sua dignidade e responsabilidade por uma política que visa o bem comum;
por isso, não deixa de votar, ou vota em branco ou anula o voto;
um bom eleitor não vende o seu voto, muito menos sua consciência e liberdade; não se deixa levar por promessas vazias, pois o seu voto não pode ser leiloado em troca de favores;
procure conhecer cada candidato, o programa do seu partido, sua história, sua honestidade, competência, transparência, conduta moral e ética, proposta de trabalho, e sua vontade de servir;
é importante também acompanhar o mandato de cada candidato eleito. 
A Igreja Católica não assume candidaturas, mas incentiva os cristãos leigos e leigas, que têm vocação para a militância político-partidária, a se lançarem como candidatos; assim como orienta os eleitores para fazerem a melhor escolha possível.
Votar com consciência é um ato de poder político. É uma atitude sensata e sábia que muito pode contribuir para o bem de nossa cidade e de nossa nação. Quando escolhemos bem, estamos contribuindo para as mudanças fundamentais de nossa história.
 
 
Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.
 
 
“Devemos nos envolver na política, pois a política é uma das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum” (Papa Francisco, Sala Paulo VI – Vaticano, 7/6/2013).