Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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02/12/2015 - “Pai, pequei contra Deus e contra ti” (Lc 15,21).


Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Misericordia Vultus, o Papa Francisco diz que “em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava resposta às necessidades mais autênticas que tinham” (nº 8). Jesus é a encarnação da misericórdia de Deus. 
A misericórdia de Deus abre caminho para a conversão. Só Ele pode libertar do pecado. É iniciativa sua a nossa salvação. A sua graça realiza em nós uma nova condição de vida. O perdão é redentor e criativo.
O ministério da reconciliação ocupa um lugar fundamental em nossa espiritualidade cristã. A vida ensina que nos afastamos do caminho de Deus, vítimas do pecado. Estamos naturalmente inclinados ao mal, fechados em nós mesmos, incapazes de corresponder ao amor de quem tanto nos ama. 
O pecado exige uma nova iniciativa da misericórdia divina, a conversão do coração e a confissão. O estado de graça é recuperado mediante arrependimento e o perdão. 
Jesus nos ensinou um remédio para curar os nossos pecados. Ele não veio “chamar os justos, mas sim os pecadores” (Mt 9,13). Ele quer misericórdia e não sacrifícios.
A consciência do pecado nasce da experiência do amor de Deus. Ele nos amou e nos escolheu “antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no amor” (Ef 1,4). Esta descoberta nos leva a reconhecermo-nos pequenos, limitados e pecadores. O reconhecimento de que somos pecadores é uma grande graça de Deus e o princípio da nossa conversão.
Jesus perdoa e nos ensina também a perdoar e a celebrar a nossa reconciliação. Ele confiou a obra da reconciliação do homem com Deus aos apóstolos e àqueles que lhes sucedem na mesma missão (Jo 20,22-23; 2Cor 5,18). 
Somos justificados pelo sangue de Cristo, dele recebemos a reconciliação (Rm 5,8-11: Ef 1,7; 1Pd 1,18). A Igreja recebeu de Cristo, na pessoa de Pedro, as chaves do Reino dos céus, para dizer o poder e atar e desatar os pecados. O Bispo é o primeiro responsável pelo ministério da reconciliação. O presbítero, por participar no sacerdócio de Cristo, é sacerdote como o bispo e seu colaborador. Ele tem a chave do coração compassivo de Jesus e deve usá-la para que os pecadores possam acolher a sua misericórdia.
Quem perdoa os pecados é Deus. A Igreja é mediadora da reconciliação. O poder do sacerdote é ministerial. Ele absolve os fiéis “in persona Christi”. Seu poder de perdoar surge do caráter sacerdotal.
Como é bom confiar no perdão e na misericórdia de Deus! Só vamos reencontrar a pátria perdida chegando à pobreza. Confiar em Deus: o caminho da santidade não consiste na total ausência de falhas e pecados, mas na total confiança e abandono nas mãos de Deus. Ele usa dos nossos pecados para abençoar-nos e purificar-nos do mal. Sem o pecado nunca suspeitaríamos da insondável riqueza da sabedoria e do amor de Deus. Mas somente o pecado reconhecido pode tornar-se um bem.
 

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo de Franca – SP.