Franca, 23 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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12/06/2017 - “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19,6)


A família é um “dos tesouros mais importantes”; é “patrimônio da humanidade” (DAp, 432); é a melhor empresa que um homem e uma mulher possuem.

A família é um bem para o próprio casal, pois o casamento e a família estão ordenados para o bem dos esposos; é um bem para os filhos, lugar da geração da vida, da educação, da formação para valores; é um bem para a Igreja, na medida em que os pais educam seus filhos para a fé e os valores cristãos; e por fim, é um bem para a sociedade, pois é formadora de valores humanos, cívicos e da consciência moral dos filhos. O lar é uma escola de virtudes; é o ambiente natural para a iniciação do ser humano na vivência de valores.

A família cristã católica está fundada no sacramento do Matrimônio, tem Jesus como centro e o próprio sacramento. Daí que o amor, a abertura à vida, a sexualidade e a fecundidade, a paternidade responsável são referências básicas.

O sacramento do Matrimônio é sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo por sua esposa, a Igreja. Na comunhão da Trindade, a família tem sua origem, seu modelo, sua motivação e seu destino.

O sacramento do Matrimônio confere valores à união conjugal e a família: graça de Deus, bênção, vocação, amor, liberdade, consentimento mútuo, indissolubilidade, união, fidelidade, abertura a vida, fé, compromisso, igualdade, compreensão, partilha, renúncia, diálogo, perdão.

A família cristã é a primeira educadora da fé. É uma Igreja doméstica. Nela os pais têm um ministério educativo, um apostolado, tendo os filhos como destinatários.

Como expressão da comunhão trinitária, a família cristã vive a comunhão, é uma escola de fraternidade para todos os seus membros. Ela é um espaço de santidade.

Uma das grandes responsabilidades da família cristã na sociedade atual é a defesa da vida.  Ela é “santuário da vida” (EV, 11). É missão dos pais educarem os filhos sobre os valores: da criação, da vida, da dignidade humana, do amor de Deus, da união, do diálogo, da tolerância, do perdão.

A família é lugar do encontro com Deus: na oração, na participação dos sacramentos, leitura e meditação da Palavra, nas devoções. “Os pais têm a missão de ensinar os filhos a orar e a descobrirem sua vocação de filhos de Deus” (CIC, 2226).

Deus quer a família construída sobre o alicerce da unidade e da santidade (cf. Mt 19,4-6). Nesta sua vontade está a realização da vida familiar. A família só será feliz e integrada se viver de acordo com os desígnios do Pai e em sintonia com Ele. A vontade de Deus é a nossa santificação (cf. 1 Ts 4,3); é “recapitular tudo em Cristo” (Ef 1,10). Jesus Cristo é o sentido da existência humana, na medida em que veio para nos salvar reconciliando-nos com Deus; para que conhecêssemos o seu amor; para ser nosso modelo de santidade e nos apresentar um caminho de santidade; para tornar-nos participantes da natureza divina (Cf. CIC, 457-460).

A santidade da família é dom de Deus: é a sua vontade, pois quer que os seus membros se pareçam com Ele no modo de ser, de existir, de pensar, desejar e agir.

O Espírito concede graças à família, mas conta com a colaboração de seus membros, principalmente do pai e da mãe. Construir a família na santidade é um caminho longo e árduo, que exige abertura, perseverança, fidelidade, determinação: exige ascese.

   No Sacramento do Matrimônio, o casal recebe as graças para viver as virtudes necessárias para a vida familiar.  

Mas o Matrimônio não é um ato mágico. No altar não se destroem as fraquezas e defeitos de cada um. O casal e a família precisam fazer um caminho: que se concretiza em regras – ascese, disciplina, zelo. A partir do Sacramento são lançadas no canteiro da vida familiar as sementes divinas que se encontrarem terreno fértil irão com certeza germinar e se transformar em plantas, flores e frutos da vida.

A ascese é um esforço para se progredir na prática das virtudes. É um exercício que se faz, na liberdade e vontade, para colaborar com a graça de Deus e alcançar a santidade e perfeição a que fomos chamados.