Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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01/09/2017 - “Lâmpada para meus passos é tua palavra” (Sl 119,105)


“A Igreja sempre venerou as Divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor”: esta é uma afirmação de um documento muito importante do Concílio Vaticano II, chamado de Constituição Dogmática “Dei Verbum”, sobre a Revelação Divina. Este documento ajudou muito na valorização, leitura, estudo e divulgação da Bíblia. Hoje ela é muito mais familiar. É lida e utilizada em inúmeras e diversas circunstâncias e situações da vida do ser humano, principalmente em suas orações e celebrações.

O Papa Emérito Bento XVI, retomando as contribuições do Sínodo dos bispos, realizado de 5 a 26 de outubro de 2008, com o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, nos presenteou com a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Verbum Domini”. A intenção era “indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina” (VD,1). A “prioridade maior”, segundo Bento XVI, é “reabrir ao homem atual o acesso a Deus, a Deus que fala e nos comunica o seu amor para que tenhamos vida em abundancia” (Idem, 2).O ser humano é, por natureza, religioso. Ele é feito para viver em comunhão com Deus. Só nele está a sua felicidade.

Como chegar até Deus? Como conhecê-lo?

A Igreja nos ensina que há várias vias de acesso ao conhecimento de Deus. Ele pode ser conhecido pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas. Mas temos a necessidade de iluminar esta revelação. A Bíblia nos ajuda nessa tarefa.

Para os cristãos, a Bíblia é sustento, vigor, luz, firmeza de fé, alimento para a alma. Aponta um caminho de vida: caminho de retidão e de dom total, o caminho de Jesus de Nazaré.

A Bíblia contém as primeiras palavras da fé. Nela aprendemos as grandes lições para a nossa vida, a verdade útil para a nossa salvação, o amor de Deus, sua redenção oferecida na pessoa de Jesus Cristo.

A Bíblia deve estar a serviço da vida. Foi escrita para ajudar a iluminar a vida. É o que Deus tem a dizer para as pessoas de hoje.

Jesus nos ensina a ler as Sagradas Escrituras.

O relato dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) nos apresenta três ocasiões de ensino de Jesus. a) Ele nos ensina a partir da vida.

A realidade é lugar de revelações. Deus se comunica com os homens e mulheres na vida, fazendo com eles um caminho. Os evangelhos apresentam a imagem do caminho feito por Jesus. No caminho, o Mestre instruiu, orientou e formou os discípulos. O seu caminho é de aprendizado e revelações. É de encontro e visitas.

O caminho de Emaús de início é de desolações: os discípulos estão desanimados como quem perdeu o sentido da vida. Jesus caminha com os discípulos, escuta-os, preocupa-se com a situação existencial dos mesmos. A difícil experiência de dor e sofrimento impede o reconhecimento do Amigo. Não haviam compreendido o mistério da cruz. Mas a presença do Senhor toca os corações e abre os olhos. Jesus faz com eles uma leitura da realidade.

b) Ele nos ensina explicando as Escrituras.

Deus nos fala através da Bíblia. Ela é uma carta de amor que Ele nos deixou.

A revelação de Deus aconteceu aos nossos primeiros pais, no Antigo Testamento. Tornou-se plena em Jesus Cristo.

No caminho para Emaús, Jesus explica as Escrituras, iluminando a realidade com a Palavra. A Bíblia ajuda a ler e a entender os fatos da vida.

c) Ele nos ensina repartindo o pão.

A Eucaristia é o bem supremo espiritual da Igreja porque contém o próprio Cristo, nossa Páscoa e Pão vivo, que com sua carne dá vida ao mundo (Cf. PO, 5).

Na casa de Emaús, Jesus oferece o pão. Os olhos se abrem e os discípulos reconhecem a presença do Senhor ressuscitado. O que importa é caminhar como irmãos, viver em comunidade e partilhar o pão.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo de Franca