Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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19/09/2017 - “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt20,16)


Há um princípio que define e orienta a espiritualidade cristã: a graça supõe a natureza, e a aperfeiçoa.

A graça é a vida de Deus em nós. É um dom, um benefício que Ele nos concede. É a revelação do seu amor, da sua bondade e misericórdia. Tudo recebemos não por mérito próprio, mas nos é oferecido por pura bondade e benevolência do Senhor.

Mas Deus quer a colaboração humana. Na sua liberdade, o ser humano responde à graça divina. A graça precisa ser acolhida. A graça é um benefício que Deus nos concede para nos ajudar a fazer o bem. Agimos pela força e ação do Espírito.

Quando o ser humano quer caminhar só com suas forças, com sua inteligência, prescindindo de Deus, comete os maiores equívocos.

Queremos sempre acertar. Há em nosso coração um desejo profundo de ser melhor. Mas precisamos da luz divina para um discernimento correto e seguro.

Jesus é o autor da graça. Sua presença na história humana, sua encarnação, morte e ressurreição são sinais do amor gratuito de Deus.

Jesus ensina que a graça de Deus e a sua justiça não é retribuição das obras, como pensavam os fariseus. Para eles, a justiça era mero cumprimento da Lei. Deus concede sua graça a cada um de acordo com os seus méritos. É um amor sujeito às obras. É uma fé de retribuição.A parábola de Jesus (Mt 20,1-16), ilustra o que Ele veio revelar. Deus não nos salva ou nos ama segundo as nossas obras, mas gratuitamente. Ele nos ama por pura misericórdia.

Na parábola o patrão decide pagar o mesmo para todos os trabalhadores, a começar pelos últimos. Trata a todos com igualdade.

Na justiça dos homens cada qual recebe pelo que produziu. Não há uma preocupação com as necessidades de cada um.

Na justiça do Reino não há privilégios. Todos são vistos nas suas necessidades. Todos têm direito à misericórdia. O Pai acolhe a todos com o mesmo amor.

Ninguém compra o amor e a misericórdia. Ninguém compra a salvação. Para Deus, ninguém merece mais do que o outro. Tudo o Pai oferece gratuitamente.

Como acolher a justiça oferecida por Jesus? Nossa resposta deve ser de amor gratuito, de doação e serviço.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.