Franca, 21 de Novembro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

24/10/2017 - “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento... Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 37.39).


O cristão é uma pessoa que crê (fé), espera (esperança) e ama (caridade). As virtudes teologais têm a Deus por origem, causa e objeto. Deus é conhecido pela fé, esperado e amado por causa de si mesmo. São João diz que “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4,16).

Deus é amor e nos ama. Antes de ensinar que devemos amar a Deus, a Bíblia nos revela que Deus nos amou primeiro. Ele nos ama como Pai dando-nos a vida; como Filho nos libertando; e como Espírito nos santificando.

Dirigindo-se aos cristãos de Roma, o apóstolo Paulo diz que “somos amados e queridos por Deus” (Rm 1,7). O seu amor “foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5). E “nada nos poderá separar do amor de Deus” (Rm 8,39). Amar é a nossa dívida (Rm 13,8).

O amor é a verdade do homem, é a sua vocação fundamental. É a coisa mais bela que temos e podemos oferecer. Em Deus que é amor encontramos a verdade da nossa vida, que ilumina e torna inteligível o nosso ser e o nosso caminho. É do seu amor que vivemos e é para esse amor que vivemos.

Saber-se amado por Deus e por seus irmãos e amar a Deus e os seus irmãos é, portanto, mais necessário ao homem do que qualquer outra necessidade, mesmo as corporais.
Mas alguns motivos dificultam a prática do amor.

A imagem errada de Deus. Temos a plena certeza e a convicção de que Deus nos ama? Que o seu amor é maior do que as nossas misérias? Buscamos o Senhor porque confiamos na sua graça ou por medo do castigo divino?

A falta da consciência da presença de Deus e da sua verdade gera no ser humano a auto-suficiência. Ele se coloca no lugar de Deus. O homem já não consegue se indignar diante do desamor.

Também dificulta o amor o enraizamento do mal em nossos corações. Certas experiências existenciais provocam feridas e atrapalham os sentimentos. Somos atingidos durante a vida por influencias negativas que determinam o nosso comportamento e nos impedem de amar.

A realidade social de injustiças é um inimigo para a prática do amor.

Nos seus ensinamentos, Jesus apresenta as exigências do amor cristão. Um amor gratuito e que sabe perdoar. É generoso e faz o bem. Sabe acolher, valorizar e elogiar.

“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso?” (Lc 6,36). O Pai é a medida do amor. Ele oferece o seu coração aos que sofrem, ama de graça. Sempre está pronto a perdoar. Assim devemos amar: gratuitamente.

Amar não é fácil. Não conseguimos esta prática só com o nosso esforço. Precisamos da graça de Deus. O alimento para um relacionamento sadio e cristão deve ser buscado na oração, na escuta da Palavra de Deus, na Eucaristia e na Confissão.

Dom Paulo roberto Beloto,
Bispo Diocesano.