Franca, 19 de Setembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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08/03/2018 - “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3,16)


O 4º domingo da quaresma nos convida a celebrar a alegria em meio à penitência. Quando fazemos penitência o nosso objetivo é Deus, que é alegria e salvação.

A liturgia da palavra trata da gratuidade da salvação e do amor de Deus. Ele nos ama de graça. Este é o motivo da nossa alegria.O segundo livro das Crônicas (2 Cr 36,14-16.19-23) apresenta Deus sendo fiel à aliança. Ele é capaz de criar coisas novas apesar da infidelidade e pecados do povo. Age na pessoa de Ciro, um rei estrangeiro, instrumento escolhido para a restauração da Nação.Na Carta aos Efésios (Ef 2,4-10), Paulo afirma que “Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo”. O apóstolo diz que somos salvos por graça.Jesus é a nossa salvação. Nele, Deus nos liberta do pecado. Esta salvação é puro dom, não depende de nossas obras, mesmo sendo elas muito importantes.

Quando celebramos a Missa, rezamos: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”.

Paulo compreendeu a sua condição de pecador e a necessidade da salvação. Esta salvação é obra gratuita de Deus, porque Ele nos ama. Somos gratuitamente justificados pela redenção de Jesus Cristo.

O tempo de Cristo é o tempo da graça e da misericórdia de Deus. O sinal de acolhida desta graça é o Batismo. Neste sacramento acolhemos a luz que Jesus nos oferece e nos comprometemos com a sua proposta de vida.

João 3,14-21 narra o diálogo de Jesus com Nicodemos. Cita um episódio ocorrido no tempo de Moisés, quando o povo caminhava pelo deserto (Nm 21,4-9). Convidados por Deus a evitar a terra de Edom, muitos começaram a murmurar, pois o caminho era mais difícil. O Senhor enviou serpentes venenosas que mordiam as pessoas. Muita gente morreu por causa disso. O povo se arrependeu e pediu a intercessão de Moisés. Deus ordenou que se fizesse uma serpente de bronze e que a mesma fosse colocada numa haste. Todos aqueles que eram mordidos pelas serpentes venenosas deveriam olhar para a serpente de bronze e, assim, receber a cura.

Na Antiguidade havia um culto a uma serpente enrolada numa vara. Ela era adorada como um deus que cura. Também o símbolo do deus grego da medicina, Esculápio, traz uma serpente enroscada. Este é um símbolo da medicina até hoje.

No episódio do deserto, Deus é apresentado como Aquele que oferece a cura e a proteção.

Jesus crucificado é sinal de salvação. Na cruz, o grande mistério de amor se revela: Deus nos oferece Jesus para nos salvar.

Em Jesus, Deus vem ao nosso encontro, busca-nos porque nos ama, com a força e a ternura de um Pai. Ele é o amor de Deus encarnado.Não contemplamos mais uma serpente de bronze, mas o Filho de Deus na cruz. Nossos olhos, nosso coração, nossa atenção e nossa vida se voltam para Aquele que é fonte de vida e salvação.

A conversão que a quaresma nos pede é voltar a nossa vida para Jesus Cristo. A fé nos leva a dar este passo. A fé é entregar a vida a Deus e acolher o seu amor.

A nossa alegria é o amor de Deus. Esta certeza nos consola e afasta de nós qualquer sentimento de tristeza.

“Quem age conforme a verdade - diz Jesus – aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus” (Jo 3,21).

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.