Franca, 20 de Maio de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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14/03/2018 - “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,24).


Esta afirmação de Jesus – utilizando a imagem da semente - marca o 5º domingo da quaresma.Também resume a sua missão: dar a vida para salvar e congregar o povo de Deus. Jesus realiza a nova e eterna aliança.

A instauração da aliança entre Deus e o povo de Israel é um dos eventos místicos centrais da história da salvação. A aliança é uma ligação entre Deus e o seu povo. O povo é beneficiário das promessas divinas. Deus é sempre fiel.

Jeremias (Jr 31,31-34) fala de uma nova aliança. Não como a aliança do passado, muito mais jurídica e legal, mas feita nas estranhas e no coração: uma aliança de amor, de comunhão com Deus.

Esta Aliança realizada no coração, fruto do amor, torna-se plena em Jesus Cristo. Nele, a aliança é como a semente lançada na terra, que morre para produzir. Jesus é a semente que o Pai plantou na roça da humanidade, que oferece a sua vida pelo bem dos seus.

“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). O caminho de Jesus é o caminho do serviço e da caridade fraterna. O sinal do grão de trigo que morre revela o despojamento e a entrega do Senhor para salvar.

Produzir fruto em Jesus é redimir o que o pecado destruiu; é devolver a vida e a dignidade aos filhos de Deus. Jesus na cruz é a fonte de salvação.

A missão de Jesus é difícil de ser compreendida com os critérios humanos. O próprio Senhor experimenta esta dificuldade: “Agora sinto-me angustiado. E o que direi? Pai, livra-me desta hora?” (Jo 12,27). Ele vence a limitação humana sendo fiel e obediente: “Foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, glorifica o teu nome” (Jo 12,27-28).

Diz o autor da Carta aos Hebreus: “Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por tudo aquilo que ele sofreu” (Hb 5,8). Jesus aceita a cruz. Nela a glória do Pai se realiza. Pela sua fidelidade e obediência Jesus recebeu do Pai a glória. A glorificação é a manifestação do amor de Deus. É a confirmação da missão de Jesus. Sela-se a nova aliança profetizada pelo profeta Jeremias (Jr 31,31).

Jesus ensina que Deus pode ser reconhecido interiormente dentro de nós, em nosso coração. Ele coloca em nós o seu Espírito. Assim, Deus e homem se unem e formam uma pessoa.

Jesus “é a causa de salvação eterna” (Hb 5,9); “aquele que atrai todos a si” (Jo 12,32).A aliança é selada na cruz. Ali a inimizade é destruída.

“Se alguém me quer servir, siga-me... Se alguém me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12,26).A salvação é oferecida a toda a humanidade, mas ela se concretiza na resposta de cada um.

Somos discípulos de Jesus. Somos seus membros. Ele é o centro de nossa vida. Dele recebemos vida e salvação.

De Jesus aprendemos a obediência e a fidelidade; aprendemos a servir e a amar. Somos sementes que devem morrer para gerar a vida.

O ser humano se realiza amando e servindo. Crescer é sempre perder alguma coisa. Só um amor maior pode consertar o que a falta deste destruiu.

A Santa Missa celebra o memorial da Nova Aliança. Cristo oferece o seu corpo e o seu sangue. Torna presente o seu sacrifício da cruz. Quando celebramos a Eucaristia, renovamos a aliança que Jesus nos oferece com o seu sangue. Vamos ao seu encontro e recebemos o anúncio de que a sua glória passa pela experiência do serviço e do amor.

A Eucaristia é o sacrifício da Igreja e de todos os seus membros. Somos grãos de trigos que morrem para gerar a vida. Oferecemos o nosso corpo, a nossa vida e toda a nossa existência: esta é a nossa missão.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.