Franca, 20 de Maio de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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08/05/2018 - “Permanecei no meu amor” (Jo 15,9)


Continuamos meditando trechos do discurso de despedida de Jesus. Este conjunto de textos (Jo 13-17) narra o anúncio da volta de Jesus para o Pai, através da sua morte-ressurreição; a promessa do Espírito; a preparação dos discípulos para a missão futura; o valor da união com Deus e a prática do serviço fraterno e do amor. É conhecido como livro da comunidade ou livro da glorificação de Jesus.

Um sentimento domina a cena: é o vazio que será deixado pela ausência de Jesus. Os discípulos estão apreensivos, desconcertados, tristes, desolados, com medo diante das suas revelações: Judas iria traí-lo (Jo 13,18-21) e Pedro negá-lo (Jo 13,380. Para responder à angústia, à saudade, à sensação de abandono, o Mestre estabelece entre os “seus” e a Trindade outro tipo de presença: a habitação das pessoas divinas no coração de quem permanecer no amor.

Indicações na passagem deste 6º domingo da Páscoa (Jo 15,9-17).

Continuando a catequese sobre a imagem da videira, Jesus fala do amor: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor” (Jo 15,9). O amor do Pai por Jesus é a base do amor de Jesus pelos discípulos. Jesus nos ama com o mesmo amor divino que o Pai tem por ele. Este amor deve caracterizar os seus seguidores. O amor das pessoas divinas pelos discípulos gera a possibilidade dos mesmos amar a Deus e amarem-se reciprocamente.

O amor de Jesus pelos discípulos e o amor dos discípulos por Jesus e entre eles é o mandamento novo que os identifica.

O que é o amor?

Jesus fala de guardar os mandamentos (v. 10) e dar a vida pelos amigos (v.13), de dar fruto que permaneça (v.16). Antes havia lavado os pés dos discípulos, pedindo a eles esta mesma prática: o amor é um serviço. Amar é imitar e conhecer o próprio Deus (1Jo 4,78).

Amar é uma ordem (v.17) Quem ama é discípulo de Jesus, é continuador de sua obra, é fiel a Ele. Quem ama oferece a vida e é amado por Deus.

O amor é a nossa vocação fundamental. Mas não é fácil amar. Alguns motivos dificultam está prática.

A) Um deles é a compreensão ou imagem errada que temos de Deus. Será que temos a plena confiança e a convicção de que Ele nos ama? Ou desconfiamos do seu amor? Buscamos o Senhor porque confiamos na sua graça ou por medo do castigo divino? Precisamos ser curados da imagem negativa ou equivocada que temos de Deus: Ele nos ama gratuitamente, não porque somos bons, mas porque Ele é bom e misericordioso. Quando acolhemos verdadeiramente o seu amor teremos forças e abertura para sermos bons e praticarmos o amor. Quem está com Deus é uma nova criatura.

B) A falta de consciência da presença de Deus, da sua justiça e da sua verdade atrapalha na prática do amor. Corremos o risco de nos colocarmos no seu lugar e sermos auto-suficientes. Assim, tudo pode. Já não ficamos indignados diante do desamor. O pecado rompe com a fraternidade. É preciso romper com o pecado pela perdão.

C) Dificulta a prática do amor o enraizamento do mal em nosso interior. Armazenamos experiências, carências e lembranças negativas do passado em relação às pessoas, fatos e circunstâncias. Somos atingidos em nossas emoções e sentimentos. Essas feridas determinam o nosso comportamento e nos impedem de amar. É preciso acolher a graça de Deus, a sua misericórdia, a prática do perdão, o auto-conhecimento: tudo são meios que nos ajudam na cura. O perdão é um agente que purifica e desobstrui a alma para receber e dar o amor.

D) A realidade social de violência, injustiça, desamor, medo também atrapalha muito na prática do amor.

Para assumir a missão de amar, o discípulo necessita de um Defensor, um Advogado, um Consolador: o Espírito Santo, o Espírito da Verdade.

O Espírito é a presença de Jesus na vida da comunidade cristã. Ele atua nos cristãos e atualiza a sua missão. Age no interior, na vida de cada cristão e no interior da igreja. Ele é o sustento, a força que impulsiona, aquele que está ao lado de quem está com Jesus.

A comunidade cristã, que vive no amor, experimenta a força do Espírito Santo. Ele faz compreender Deus. Ele nos faz penetrar no seu coração. Ele intercede por nós e nos ajuda a amar

Estamos próximos da festa solene de Pentecostes. Estamos nos preparando para acolher “Aquele que é chamado em nossa defesa, Aquele do qual procuramos consolação”. Não vamos procurar consolo em coisas passageiras. Deus é o nosso sustento. Só Ele basta.

Sendo consolados pelo Espírito, procuremos consolar e aliviar a aflição, confortar a tristeza, ajudar a superar o medo e dissipar a solidão de nossos irmãos e irmãs.

A Eucaristia é o sacramento que renova a presença do Espírito Santo em nós.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.