Franca, 20 de Maio de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

10/05/2018 - Ascensão do Senhor


1 - Quando recitamos o Creio, professamos a nossa fé na ascensão de Jesus: afirmamos que Ele “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”.

O Catecismo da Igreja Católica diz que “a ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens” (665).

A ascensão é a celebração da exaltação do senhorio de Jesus. É o coroamento da sua caminhada entre nós. Está sentado à direita do Pai, em plena comunhão com Ele. Por isso, é o único mediador entre Deus e as pessoas.

A glorificação do Senhor é um mistério, não se explica com a razão humana. Só os olhos da fé nos leva a celebrar a glória e o senhorio de Jesus.

2 - A festa solene da ascensão de Jesus nos leva a meditar duas dimensões essenciais da nossa fé.

Contemplamos o Senhor na sua glória. Nosso desejo é o céu. Nossa mente e o nosso coração se voltam para o alto, para onde está Cristo, sentado à direita de Deus.

“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com ele o nosso coração”, diz santo Agostinho no sermão da Ascensão. Suba com Jesus o nosso louvor e adoração.

Em Jesus, a nossa natureza foi exaltada. Celebramos essa graça na fé e no desejo. Deus é o nosso desejo. Só nele encontramos a verdadeira felicidade.

A vida interior é essencial na Bíblia e na experiência cristã. Mas na sociedade atual a interioridade perdeu espaço. O que vale é o exterior, a matéria, o rumor, o barulho, a distração. Mais cedo ou mais tarde, vem o vazio.

Nenhuma ação tem valor se Deus não estiver na sua origem. Antes de servir, devemos nos colocar aos pés do Senhor, em silêncio, e escutá-lo. Na intimidade, nos reabastecemos. Depois da escuta amorosa e silenciosa, temos o que oferecer.

A nossa espiritualidade não pode se voltar apensas para o alto. A vida cristã não é apenas vertical, mas se concretiza na missão.

Jesus “foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9). São Leão Magno afirma que “depois da Ascensão do Senhor, tudo o que visível do nosso Redentor passou para os sacramentos da Igreja”. A presença de Jesus se dá por meio dos sinais simbólicos da liturgia. Por isso, percebemos a presença do Senhor quando estamos reunidos em torno da Palavra e da Mesa Sacramental.

Os olhos da fé nos levam a compreender que ao subir ao céu, Jesus não nos abandonou. “Cristo está no céu – continua santo Agostinho -, mas também está conosco. Por sua divindade, por seu poder e por ser amor ele está conosco. Ele não se afastou de nós quando subiu ao céu”.

3 – O Senhor está presente, agindo através do Santo Espírito. Dois efeitos são essenciais nessa ação: o Espírito ilumina os mistérios e as verdades da fé; também infunde em nossos corações o Amor de Deus que nos purifica e nos santifica.

Agora é tempo do Espírito, tempo da ação, tempo da missão, do apostolado, do testemunho (cf. At 1,8). É tempo de sair, nos diz no Papa Francisco. É tempo de servir.

Somos amigos de Deus (cf. At 1,1). O Batismo nos insere no corpo do Senhor. Participamos da vida de Deus. Subimos ao céu com Jesus, mas enquanto não se realiza plenamente em nosso corpo o que o Pai prometeu, estamos em missão.

Somos enviados por Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura! ” (Mc 16,15). Com a força do Espírito saímos em missão.

A festa da Ascensão do Senhor nos ensina a buscar nele a força necessária para a missão. Da intimidade com ele brota a consciência missionária que se concretiza nas obras. A garantia do sucesso está na efusão do Espírito.

4 – Rezemos pelo 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o Tema: “A verdade vos tornará livres”. Que Deus abençoe todos os profissionais da comunicação, na divulgação da verdade que liberta.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.