Franca, 11 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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28/05/2018 - Solenidade da Santíssima Trindade - 2018


1 – O Catecismo da Igreja Católica apresenta a Trindade como o “mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina” (CIC, 234). É o “mistério cristão por excelência” (R.C.). Todo o cristianismo leva a marca da Trindade.

2 – A Trindade está presente em nossas orações e liturgia:somos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; iniciamos as nossas celebrações e orações em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e encerramos, recebendo a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo; glorificamos a Deus Pai e ao Cordeiro (Filho), com o Espírito Santo; cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso... em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus... e no Espírito Santo, Senhor que dá a vida;

A Missa tem uma fundamentação trinitária: estabelecemos um “diálogo entre nós e o Pai, feito por meio de Jesus Cristo, à luz e com a força do Espírito Santo” (R.C.) O Cânon é uma oração dirigida ao Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo. Encerramos a Oração Eucarística, rendendo honra e glória a Deus Pai, por Cristo, na unidade do Espírito Santo.

3 – Quem revelou o mistério da Trindade foi Jesus. O Deus revelado por Ele é a Trindade, porque é amor. Um amor que vem até nós, que é derramado em nossos corações (Rm 5,5).

4 – São Paulo afirma na Carta aos Romanos que “Deus é por nós” (Rm 8,31).

Deus é por nós como Pai, dando-nos a vida e os bens da criação, sustentando a nossa existência;

Deus é por nós como Filho, salvando-nos e nos reconciliando, revelando o amor, indicando o caminho da santidade e nos torando participantes da sua natureza;

Deus é por nós como Espírito Santo, habitando em nossa alma, concedendo-nos dons.

5 - Santa Teresa d’Ávila diz que “Deus é suficiente”. Quem o encontrou, “não precisa mais procurar um sentido para viver, porque em Deus realiza o sentido profundo da sua vida” (A.G.). Procurar a Deus não é sinal de fraqueza humana, mas expressão de inteligência. Só a obediência a Ele e a amizade com Ele são capazes de dar sentido a nossa existências e nos ajudar a ordenar tudo para o amor.

6 – Somos “herdeiros de Deus e cordeiros de Cristo” (Rm 8,17). Somos herdeiros de sua presença, “até ao fim do mundo” (Mt 28,20).

O nosso coração foi feito para estar em sintonia com a Trindade Santa, pois não vivemos sem o amor do Pai que nos criou, que integra a nossa vida e dá sentido à nossa existência; sem a graça de Jesus Cristo que nos cura e nos redime de todo o mal e nos salva; sem a comunhão com o Espírito Santo que habita em cada um de nós, santifica e nos fortalece para a missão. Quando celebramos a comunhão com a Trindade somos contagiados pelo amor sem medidas do Pai, pela solidariedade do Filho e pela unção do Espírito.

7 – A Trindade é uma perfeita comunhão de amor. Quando entramos em diálogo com as pessoas divinas, somos também chamados a viver entre nós essa mesma experiência.

A vida cristã acontece na Igreja, lugar da identidade cristã, lugar da celebração da fé, lugar do encontro, da fraternidade, do serviço e da amizade.

A comunhão na Igreja é sinal de obediência ao Senhor e sintonia com a sua vontade. Na sua “Oração Sacerdotal” (Jo 17), Ele nos pede que sejamos um: que sejamos um no Pai e no Filho (Jo 17,21). A intenção profunda do coração de Jesus é a nossa unidade.

A Igreja é mistério, pois está embebida da presença de Deus. Na Trindade ela encontra sua fonte e sua identidade.

A Igreja é comunhão. Ela é Corpo Místico de Cristo, congregado na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.