Franca, 11 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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04/06/2018 - 9º Domingo do Tempo Comum – Ano B


1 – Marcos 2,23-28 trata da Lei do sábado.

Os fariseus chamam a atenção de Jesus sobre o comportamento dos seus discípulos, colhendo espigas de trigo em dia de sábado, ação não permitida pela Lei. Jesus responde, citando um episódio ocorrido com o rei Davi e seus companheiros, que diante da fome, comem os pães oferecidos a Deus, só permitido aos sacerdotes (1 Sm 21,2-7).

Logo após, na sinagoga, Jesus também realiza uma ação em dia de sábado, curando um homem de mão seca (Mc 3,1-6).

O milagre realizado por Jesus em dia de sábado provocou reações nos fariseus e partidários de Herodes.

2 – Compreendendo as cenas.

O sábado era uma instituição fundamental para o povo judeu.

Shabat – sábado é o sétimo dia da semana no calendário israelita e judaico. É um dia dedicado ao Senhor, instituído e santificado por Ele, de repouso e descanso (Dt 5,12-14). Após concluir sua obra da criação, Deus repousou no sétimo dia (Gn 2,2-3). Não que Ele tenha deixado de agir, pois seu amor nunca se esgota: o Pai trabalha sempre, diz Jesus (Jo 5,17).

Guardar o sábado era sinal de respeito, filiação e lembrança que tudo é dom de Deus.

Ao guardar o sábado, os judeus recordavam também a libertação do Egito (Dt 5,15). Era sinal de liberdade e afirmação da dignidade humana.

O sábado era um dia sagrado, de santidade, de encontro, celebração, gratuidade, repouso; momento de preservação da tradição e da identidade religiosa e cultural do povo israelita.

Jesus não é contra o sábado. Não rejeita a Lei. Ele não veio abolir a Lei e os Profetas (Mt 5,17).

Por que as suas atitudes com relação ao sábado?

No tempo de Jesus, os fariseus e escribas – peritos no estudo, ensino e aplicação da lei judaica -, controlavam ideologicamente a sua interpretação. Defendiam um sistema ancorado na lei e na centralização do Templo de Jerusalém. O sábado perdeu o seu caráter de descanso, gratuidade, liberdade, alegria e encontro com o Senhor. Tornou-se uma prescrição pesada e formalista. As pessoas estavam sujeitas à lei. Foi feito do sábado uma lei morta.

A intenção de Jesus era recuperar o verdadeiro sentido da lei: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Mc 2,27). O sábado deveria estar a serviço das pessoas. Para Ele, o bem-estar e a vida estão acima da lei. Esta é a vontade de Deus.

As necessidades básicas são o critério para se interpretar e discernir a vontade de Deus. O bem e a prática da misericórdia estão acima da lei. O amor é a base do relacionamento humano e o fundamento da religião. A vontade originária de Deus é o bem das pessoas.

“O Filho do Homem é senhor também do sábado” (Mc 2,28). Ele está acima de qualquer instituição, pois é Senhor e Deus. Ele tem a autoridade sobre a lei e sobre a vida.

Os cristãos celebram o domingo. Jesus ressuscitou no domingo. Venceu a morte e se tornou o Senhor da vida.

O domingo é a lembrança da libertação e vitória de Cristo sobre a morte. É dia de encontro com o Senhor. Dia de descanso, mas também, e sobretudo, dia para se ouvir a Palavra e celebrar a Eucaristia.

3 - 2 Cor 4,6-11. Paulo utiliza a imagem “vaso de barro” para falar da fragilidade humana. A nossa força vem de Deus. É a força da cruz, pois é a força do amor.

Carregar a cruz é depender de Deus. É renunciar toda força humana para seguir a Jesus. Quem o segue, não perde a esperança, não desanima, não se deixa aniquilar.

Quando o vaso quebra, revela o seu conteúdo: a vida de Cristo.