Franca, 23 de Outubro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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05/06/2018 - 10º Domingo do Tempo Comum – Ano B


O Papa Francisco nos presenteou com a Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: sobre a chamada à santidade no mundo atual. O texto oferece indicações sobre como viver a santidade hoje. Neste chamado à santidade, o Papa indica seus “riscos, desafios e oportunidades” (nº 2).

No caminho de santidade, a Exortação repassa algumas características no mundo atual: perseverança, paciência, mansidão, alegria, senso de humor, audácia e fervor.

“A vida cristã é uma luta permanente” (nº 158): não apenas “contra o mundo e a mentalidade mundana”, ou “contra a própria fragilidade e inclinações” (nº 159). É uma luta “contra o demônio,” contra o Maligno. Contra um ser pessoal que nos atormenta, “que tem uma força destruidora tão grande” (nº 160).

Armas contra Satanás: vigilância, discernimento, decisão, oração, vida sacramental, prática da caridade. Gênesis 3,1-15 é uma das passagens mais significativas da Bíblia quando trata da existência do mal. O texto lido na liturgia (Gn 3,9-15) retrata o diálogo de Deus com o homem, a mulher e a serpente, logo após a queda.

A serpente representa a força do mal. No seu diálogo com a mulher, pretendia que Deus tivesse proibido comer de qualquer árvore (v. 1). A mulher também apresentava as coisas como se Deus tivesse proibido até de tocar na árvore (v.3). Na verdade, Deus deu uma ordem ao homem e a mulher: eles poderiam comer de todas as árvores do jardim, menos da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2,16-17). A falta de objetividade desencadeia a tentação.

A serpente desperta o desejo e a curiosidade da mulher de comer o fruto. Depois, desaparece. A mulher apresenta o fruto ao homem que também o come. Homem e mulher são solidários no pecado.

A tentação do homem é ser como Deus. É revoltar-se contra a sua condição de dependência. Por isso, a raiz do pecado está na opção errada que o mesmo faz diante de Deus.

O autor toma como exemplo a imagem da nudez das crianças, que não têm vergonha. Um adulto tem vergonha de agir assim.

Depois do pecado, o homem toma consciência da transgressão. Consciente da culpa, tem medo e foge. Não tem coragem de olhar para Deus. Ele é visto como um juiz. Desligado de Deus, já não se encontra consigo mesmo. Torna-se um estranho.

O homem reconhece a sua culpa em termos. Procura diminuir a sua responsabilidade, jogando a culpa na mulher. Deus também é culpado por ter-lhe dado uma mulher.

O texto da liturgia detêm-se no castigo à serpente: esta não tem defesa. É o mal que deve ser esmagado. A inimizade entre o homem e a serpente é a inimizade entre a força do bem e a força do mal.

Deus não rompeu com o homem, continua a protegê-lo, ajuda-o a cobrir a sua nudez.

Segundo a narrativa de Gênesis, o pecado é a não aceitação da proposta de Deus, é errar o alvo e não corresponder às suas intenções. É dizer não ao seu amor. É uma orientação da vida sem Deus.

Marcos 3,20-35 narra as reações diante do messianismo de Jesus. Para os parentes, ele “estava fora de si” (v. 21). Para os mestres da Lei, “estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios” (v. 22).

Jesus reage, contanto a parábola do reino dividido. A acusação dirigida a Ele é um pecado sem perdão, pois é “blasfema contra o Espírito” (v.29). Pecar contra o Espírito é desvirtuar a verdade que está em Jesus. É não aceitar o seu messianismo. É desviar-se do caminho do bem.

Quando alertam sobre a presença da sua família, Jesus diz: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (v. 35). O critério que Jesus utiliza para pertença a sua família é fazer a vontade de Deus.

Os membros da família de Jesus são cumulados de bênçãos, e mesmo diante das fragilidades humanas, seguem firmes, pois o “volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável” (2Cor 4,17). Quem está com Jesus, está com o “homem mais forte”, que venceu Satanás e nos introduziu no reino da luz. Nele está a nossa esperança, “toda graça e copiosa redenção” (Sl 129,7).

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.