Franca, 19 de Setembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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14/06/2018 - 11º Domingo do Tempo Comum – Ano B


Marcos apresenta Jesus como o Filho de Deus (Mc 1,1,11; 15,39) que veio anunciar e revelar o Reino (Mc 1,15). O Reino é a mensagem central na sua pregação. Ele comunica o Espírito e realiza o Reino.

O Reino é de Deus, é dom do Espírito. É necessário o discernimento: entre graça e necessidade, entre transcendência - ação que brota da graça de Deus e imanência - ação que brota da liberdade humana. Jesus pregava a esperança que vem de Deus, com a exigência para a ação humana. Os seres humanos livremente, com a graça de Deus, participam na construção do Reino.

O Reino deve ser entendido no interior da missão de Jesus. Acontece de geração em geração. Ele não se confunde e não pode ser identificado com nenhuma civilização, organização social ou processo histórico de libertação. O Reino se realiza como momento último – escatologia, e como realização histórica - ação doas pessoas impulsionadas pelo Espírito.

O Reino é a realização de todas as promessas. É a comunicação plena e total do Deus vivo em Jesus Cristo. Ele revela o Pai e comunica o Espírito.

Jesus realiza o Reino através de gestos salvadores, curando, libertando, acolhendo as pessoas, mas também pregando, através de uma linguagem que os ouvintes compreendiam.

A parábola é uma estória popular, uma comparação simples, de fácil entendimento. É um instrumento pedagógico utilizado por Jesus. O seu objetivo é revelar o sentido do Reino.

No texto da liturgia (Mc 4,26-34), temos duas parábolas, conhecidas como as parábolas das sementes. São duas estórias com imagens familiares.

A parábola da semente que germina por si só revela que o Reino é dom gratuito do Pai. O camponês, quando lança a semente na terra, aguarda o seu ciclo normal de germinação, crescimento e produção. A natureza se encarrega deste processo. Ele não sabe como a semente germina e cresce, mas aguarda com confiança seu dinamismo, sem interferir. Ele pode dormir ou vigiar, o resultado será o mesmo. Sua missão é lançar a semente e fazer a colheita.

O Reino é de Deus. Ele o faz germinar e crescer, com seus critérios. Nossa missão é lançar as sementes.

O grão de mostarda é uma das menores sementes que o camponês na época conhecia. Ao ser semeado, tornava-se um grande arbusto. Deus realiza seu mistério na simplicidade e na humildade. O resultado da sua ação nas coisas insignificantes é uma surpresa para nós.

Deus age em nossa fraqueza, por isso precisamos “estar sempre cheios de confiança” (2Cor 5,6.8), pois Ele é nossa força.

As parábolas das sementes têm uma mensagem especial para nós. Estamos no tempo do Espírito, que é o tempo de lançar as sementes, tempo de missão.

A missão é obra do Espírito. Mas Deus quer contar conosco. Somos “servos inúteis” nas mãos do Senhor. Mas somos servos, isto basta. Devemos nos rebaixar como Cristo para acharmos apoio só no poder de Deus. Na cruz, Jesus perdeu toda a sua força e poder, como os pobres. Mas na cruz Deus manifesta em Jesus todo o seu amor.

A nossa missão não pode abster-se da cruz. Cruz como pobreza, simplicidade, carência de poder e abandono nas mãos de Deus. Carregar a cruz é depender unicamente de Deus, depender apenas de sua força e renunciar toda força humana. Viver esta cruz não é viver a escravidão, mas a verdadeira liberdade dos filhos de Deus e o advento do Espírito.

Esta missão acontece e produz e tem uma força irresistível, mesma parecendo uma semente de mostarda, pois ela vem de Deus.

“Enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara. Mas estamos cheios de confiança (2or 5,6-8), pois Deus age em nossa pobreza e nos fará “um cedro majestoso” (Ez 17,23).

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.