Franca, 13 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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20/07/2018 - 16º Domingo Comum – Ano B


Marcos 6,30-34 faz parte de um conjunto de cenas. Os discípulos narram com alegria os efeitos da missão. Eles participam do apostolado de Jesus. Nos versículos que se seguem, temos a multiplicação dos pães. Também, dentro do conteúdo, é narrada a morte de João Batista. No interior de todas essas cenas, Jesus é apresentado como o pastor que supera a prática dos maus pastores, denunciados por Jeremias (Jr 23,1-6). Jesus é o novo Moisés capaz de reunir e dar a vida ao seu povo. É o “supremo pastor” (1 Pd 5,4) que se compadece do povo, que veio para servir.

Duas preocupações brotam do coração de Jesus:

Primeiro, com os discípulos. Após a missão, é importante se retirar para um momento de oração e descanso. Isto refaz as energias e equilibra a ação e a contemplação, o serviço e a gratuidade. O deserto é lugar de recolhimento, silêncio, intimidade, aprendizado, onde Deus fala.

Mas o convite de Jesus é frustrado com a presença do povo. As ovelhas procuram o pastor porque veem nele uma esperança. Jesus tem compaixão.

Efésios 2,13-18 é um hino que celebra Jesus Cristo como fundador da Igreja. Algumas expressões, como: “fez uma unidade”, “um só homem novo”, “um só corpo”, ilustram os elementos da teologia paulina.

A Igreja é o povo de Deus reunido por Cristo. Ele a fundou com a cruz, com o seu sangue, com a sua morte. Esta Igreja tem como base a Trindade. Cristo e o Espírito dão acesso ao Pai.

Jesus Cristo é o autor da Igreja. Ele aproxima as pessoas, destrói as inimizades, suprime os obstáculos, reconcilia e salva. Gera a vida nova, a nova humanidade fundada na paz. A paz é a força que o cristão recebe de Cristo para enfrentar os conflitos e as divisões.

A Igreja nasce do coração misericordioso de Jesus, que reúne, reconcilia, alimenta e revela o seu amor e a paz.

A Igreja é o lugar de encontro com o Pastor. Nós o buscamos no louvor, na ação de graças, na adoração. Na Igreja celebramos os meios para viver a fidelidade, a caridade e a paz. Somos integrados em Cristo que nos salva.

A Igreja é o lugar de encontro com os irmãos. Nela celebramos a nossa fé e a nossa comunhão. A mesma necessidade que o povo teve indo ao encontro de Jesus, correndo e buscando nele o sentido da vida, a esperança e a salvação, temos hoje. Ele tem compaixão de nós, nos acolhe, nos perdoa, nos reconcilia e nos integra como povo de Deus. Recebemos de Jesus, através da Igreja, as graças necessárias para a nossa santificação. Somos ovelhas frágeis que buscam no Pastor a proteção, a segurança, o perdão, a vida e a paz.

A liturgia nos inspira a amar a Igreja, pois ela é desejo do Senhor. Como Ele a amou e se entregou por ela (Ef 5,25), também devemos amá-la, como ela é, com suas conquistas e fragilidades.

A Igreja é obra de Cristo, por isso é santa. Mas é feita de ovelhas frágeis, por isso tem necessidade de purificar-se constantemente.

Precisamos entrar no interior da Igreja, no seu mistério, para compreender a sua beleza. Apesar de sua aparente imperfeição, nela se encontra o verdadeiro Pastor Supremo, nosso Deus e Salvador. Nela celebramos a nossa fé, a certeza de que o pastor nos espera e nos ama. Celebramos nossa esperança de salvação e perfeição na Jerusalém Celeste.

Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.