Franca, 13 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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31/07/2018 - 18º Domingo do Tempo Comum - Ano B


João 6 narra a multiplicação dos pães e o discurso eucarístico de Jesus, na sinagoga de Cafarnaum.
É o quarto sinal neste Evangelho, que tem como objetivo suscitar a fé.
A cena da multiplicação dos pães aconteceu próximo da Páscoa.
Jesus atravessou o mar da Galiléia, também chamado de Tiberíades, subiu à montanha e sentou-se com os seus discípulos.
Uma grande multidão o seguiu por causa dos sinais.
Ele se preocupou com a alimentação daquelas pessoas e distribuiu o pão (Jo 6,1-15).
As indicações nas cenas lembram passagens do Antigo Testamento: a travessia do mar da Galiléia recorda a passagem do Mar Vermelho; a subida à montanha lembra Moisés no Sinai e o pão distribuído faz recordar o maná.
Jesus é o novo Moisés que inaugura o novo êxodo, conduzindo o povo para a vida e a liberdade, que oferece a nova Lei e a verdadeira Páscoa definitiva.
O seu gesto está relacionado com a Eucaristia.
É um sinal indicativo para a comunidade que deseja celebrar sua fé no Messias.
Após a partilha dos pães, Jesus inicia o seu discurso eucarístico (Jo 6,24-35).
As pessoas não compreenderam o sentido da partilha dos pães.
Ficaram apenas no sinal.
A proposta de Jesus teve como intenção levar os ouvintes a entender o que está por detrás do sinal.
“Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará.
Pois este é quem o Pai marcou com seu selo (Jo 6,27).
O que permaneceu no gesto dos pães? A partilha, a comunhão, a amizade e a solidariedade.
Este é o alimento que Jesus oferece e que foi marcado e selado pelo Pai.
O alimento oferecido é gratuito.
É dom de Deus.
Ele nos alimenta com a sua palavra e com o pão eucarístico.
Ele nos oferece a salvação por meio de seu Filho, gratuitamente.
A nossa resposta é dizer sim, acreditar neste dom, acreditar em Jesus e acolhê-lo na fé.
O alimento que o Pai oferece é Jesus, dom gratuito.
Ele é a encarnação plena de Deus na história humana.
É o pão da vida que mata a nossa fome e a nossa sede (Jo 6,35).
Êxodo 16,2-4.12-15 narra um fato ocorrido quando o povo de Deus estava no caminho da terra prometida.
O episódio se deu no deserto do Sinai.
Diante da murmuração do povo, reclamando alimento, Deus respondeu manifestando o seu poder com o dom do maná, alimento necessário para superar a precariedade do deserto.
Revela seu apoio e sustento na caminhada.
Esta providência do Senhor quer despertar no seu povo a confiança na sua ação.
A fé é um caminho para Ele.
Efésios 4,17.20-24 apresenta desafios para os cristãos no mundo paganizado.
Viver como pagão é apegar-se ao nada.
É deixar Deus que é tudo e viver de futilidades e coisas vazias, que impedem de ver o verdadeiro sentido e valor da vida.
O paganismo corrompe a capacidade de discernimento.
Cristo é a referência para os cristãos.
É a verdade que liberta e direciona o agir correto.
Quem é de Cristo deve abandonar as coisas velhas, a vida anterior ao batismo e viver a vida nova, com outros critérios e valores.
As tentações do mundo pagão são fortes e seduzem. Daí a necessidade de renovar-se sempre e dizer um “basta” às práticas pagãs e voltar-se para Cristo.
Esta renovação é obra do Espírito.
Ele rejuvenesce e transforma a pessoa na qualidade do ser.
Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança.
O pecado ofuscou e escondeu esta dignidade.
Em Cristo, a pessoa nova é recriada, segundo à imagem do Criador.
Quando um pedreiro conclui sua obra, embeleza a mesma.
O batismo devolve a dignidade perdida, reveste-nos de Cristo.
Paulo lembra uma imagem do rito batismal das primeiras comunidades: a troca de roupa.
A veste nova recebida no batismo significa a nova identidade cristã.
O cristão é uma pessoa nova, criada à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4,24). E assim deve viver e servir ao Senhor.
A Eucaristia é o alimento do cristão para viver segundo a dignidade recebida no seu batismo.
“Eu sou o pão da vida”, diz Jesus (Jo, 6,35).
Ao receber deste pão, somos revestido de Cristo, impulsionados pelo Espírito para viver como criaturas novas, filhos e filhas do Pai celeste.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo diocesano.