Franca, 16 de Agosto de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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06/08/2018 - 19º Domingo Comum – Ano B


João 6 narra o 4º sinal de Jesus: a partilha dos pães e dos peixes, e o seu discurso eucarístico. Ele ocupa um lugar central neste Evangelho, como um apelo à fé no Senhor. O sinal serve como introdução, logo após temos uma catequese que tem a intenção de apresentar Jesus como o verdadeiro pão que vem do céu e que sacia os que acreditam nele.
Iniciamos a leitura e reflexão do capítulo 6 no 17º domingo comum. Seguimos agora durante alguns domingos, refletindo o discurso eucarístico. Jesus é o pão da vida. É o dom do Pai oferecido ao mundo. É a encarnação plena de Deus na história humana. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que o Senhor oferece é a sua carne (Jo 6,41-51).
O que significa comer deste pão?
O pão material é uma necessidade básica. Sem comida e sem bebida, a vida não se mantém. Jesus alimenta as pessoas com o pão material. Ele tem essa preocupação. Mas esse pão se acaba. Ele quer oferecer um “pão” que vai além das necessidades básicas, que dura para sempre. Ele quer nos oferecer a vida do próprio Deus.
Ao utilizar o símbolo do pão material e dizendo que Ele “é o pão da vida”, Jesus quer nos dizer que sem Deus não somos nada. Somente Ele dá sentido à existência humana. Sem Deus não temos a vida e a nossa história não tem sentido. “Comer deste pão” significa nos orientar segundo os critérios evangélicos, é viver conforme o projeto divino, com Deus e para Ele.
O Evangelho é um apelo a acolher Jesus como a sabedoria que vem do céu. Ele é a revelação plena de Deus. Os seus ensinamentos e as suas palavras nos conduzem à verdade e à vida. Ele nos revela e nos ensina o caminho do Pai (Jo 6,46). Quem nele crer, possui a vida eterna. Jesus é o “pão” que revela o Pai. Quando seguimos os seus ensinamentos e o seu caminho, que é a prática do amor fraterno e da justiça, estamos no rumo certo.
O discurso de Jesus remete à Eucaristia: “minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 6,51) tem intima relação com a Ceia eucarística.
João utiliza a palavra “carne”, no capítulo 6 e no prólogo do seu Evangelho: “A Palavra (Verbo) se fez carne” (Jo 1,14). A Palavra se fez homem. Corpo e carne, indicam toda a existência humana.
Na encarnação e na Eucaristia, Jesus nos deu como dom toda a sua vida: sua história, seu apostolado, seus milagres, suas orações, seu silêncio, seus sofrimentos, fadigas e humilhações.
Deu-nos seu corpo e sangue: sua vida e sua morte. “A Eucaristia é o mistério do corpo e do sangue do Senhor, ou seja, da vida e da morte do Senhor!” (R.C.).
Na Missa, o Senhor nos convoca, nos exorta, nos consola, nos fortalece, nos alimenta com a sua Palavra e com o seu Corpo e Sangue.
Deus nos diz, como ao profeta Elias: “Levanta-te e come!” (1Rs 19,5.7), pois também temos um caminho longo a percorrer. Com a força deste alimento, seguimos nossa peregrinação.
O profeta está passando por uma dura experiência (perseguição do rei Acab e da rainha Jezabel e dos sacerdotes) que o deixa desanimado, deprimido, desiludido, desesperado e cansado, ao ponto de fugir e pedir a morte. Um anjo enviado por Deus o encoraja, com palavras e alimento. Ele agora tem força para retomar o longo caminho na direção do monte de Deus (1Rs 19,4-8).
Que lição para nós!
Com o alimento da Palavra e da Eucaristia, com a força do Espírito, somos capazes de vencer as tentações, as provações, as crises existenciais e espirituais, as desilusões, o medo e o desânimo e acolher e viver os conselhos de Paulo ((Ef 4,30-5,2): superar e tirar do nosso coração e das nossas atitudes, toda amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias e maldades. As relações tensas e ásperas destroem a comunidade e entristecem o Espírito.
Pelo Batismo, o cristão torna-se criatura nova, segundo à imagem de Deus, reveste-se da graça e da vida nova, procura a bondade, a compaixão, o perdão e o amor, bases da vida comunitária.
Os filhos imitam o Pai. Esta imitação tem como centro o amor. Imitar a Deus é praticar o amor fraterno. Nesse mês vocacional, refletimos e rezamos sobre uma dimensão fundamental em nossa existência: Deus nos chama a cuidar das suas coisas, nas diversas dimensões, circunstâncias e realidades. A nossa vocação é continuar a obra do Criador, seguindo pelo caminho revelado por Jesus Cristo, o absoluto em nossa vida, com a força e inspiração do Espírito.
Rezamos pelo pais, rezamos pela família, comunidade de amor. Ela é chamada a ser “santuário da vida”, onde pode nascer e crescer cada pessoa que vem a este mundo.

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.