Franca, 11 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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20/08/2018 - 21º Domingo Comum – Ano B


Estamos lendo neste domingo o trecho final do capítulo 6 de João (Jo 6, 60-69), que narra a partilha dos pães e o discurso eucarístico de Jesus. Com a sua catequese sobre a Eucaristia, Jesus leva os discípulos a terem uma compreensão e uma consciência clara sobre o sentido de sua pessoa e missão. O sinal dos pães tem um objetivo, mas muitos não entenderam. Jesus quer um posicionamento diante de sua pessoa e do seu projeto de vida e liberdade. Ele é o pão da vida: sua encarnação é o maior presente que o Pai ofereceu à humanidade. É o amor encarnado, o caminho que leva a Deus.
Quem recebe Jesus como pão tem a vida e se compromete com ele. Torna-se sinal para os outros, é canal do amor e da graça, pelo poder e força do Espírito. Ele dá a vida (Jo 6,63), é a força do amor, a alma do apostolado.
Alguns discípulos reagem diante da proposta de Jesus, consideram difícil este caminho e o abandonam. Não entenderam a vida como graça e oferta. Outros discípulos – Pedro é o interlocutor dos mesmos -, acolheram a proposta. Para eles, não há outro caminho, a não ser o de Jesus. Só ele tem “palavras de vida eterna”, é o “Santo de Deus” (Jo 6,68-69). Por isso, “conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp, 29).
Jesus Cristo é o centro da nossa fé. Quando falamos “cristão”, estamos nos referindo àquele que entrou em relação pessoal e viva com Jesus Cristo e o reconhece como Senhor e Salvador. É o Batismo que nos dá esta dignidade de consagração e pertença ao Senhor. Por este sacramento, Jesus nos convida, à amizade com Ele e ao apostolado.
A fé cristã é um encontro de amor. É o amor de Deus revelado na pessoa de Jesus Cristo, que nos santifica e dá sentido à nossa existência.
Nossa resposta de fé ao Senhor é livre. Mas Deus quer uma opção objetiva, firme e clara. Não podemos titubear. Não podemos servir a dois senhores (Mt 6,24). Não podemos servir aos ídolos, mesmo que parece ser mais cômodo. Somos chamados a fazer a experiência da família de Josué e do povo de Deus e dizer solenemente: “nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus” (Js 24,18b). Somos chamados a responder como Pedro, diante da interrogação de Jesus: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,69).
Efésios 5,21-32 é um código com orientações para a vida familiar. Trata das relações do homem e da mulher. Paulo utiliza uma analogia com o tema Cristo-Cabeça do Corpo-Igreja para iluminar essa relação.
Na sociedade da época, na natureza das coisas, a mulher era subordinada ao homem, num nível inferior. Ele era a cabeça da mulher. Esta ordem deveria ser conservada.
Paulo vai além da ordem natural ao utilizar a analogia Igreja-Cristo, que se fundamenta no amor. Cristo é o ponto de partida. O corpo e a cabeça se unem num mesmo compromisso.
Cabeça não significa dominação, mas uma função de proteção.
Entre homem e mulher deve haver uma só vida e um só destino.
Jesus morreu pela Igreja. Ofereceu sua vida por amor. Assim como a Igreja é solícita por Cristo, assim devem ser as mulheres em tudo pelos seus maridos. Assim como ele amou a Igreja, deve ser o amor entre marido e esposa: Como Cristo protege a Igreja, o marido deve proteger a esposa. É um amor que suaviza a relação de dominação.
Paulo não discute a relação de subordinação e a estrutura familiar vigente. Acrescenta o compromisso de amor, semelhante ao amor de Jesus pela Igreja. Um amor de doação e sacrifício.
No matrimônio, há uma relação de graça, de dom de Deus, de compromisso, de amor, de oferta e sacrifício entre homem e mulher.
Dom PauloRoberto Beloto,Bispo Diocesano.