Franca, 23 de Outubro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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26/08/2018 - 22º Domingo do Tempo Comum – Ano B.


Marcos 7,1-8.14-15.21-23 narra episódios da missão de Jesus em território pagão. “Os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém” para investigá-lo. Questionam as atitudes dos seus discípulos: acham que estão transgredindo a lei por não observarem o ritual de pureza, respeitado pelos judeus. Esta transgressão é uma desobediência a Deus. Jesus é responsabilizado por tal ato. Ele não é mestre da Lei, por isso não tem autoridade para promover ou não cumprir normas religiosas.

Jesus não veio abolir a Lei, mas levá-la à perfeição (cf. Mt 5,17). A sua observação é fundamental (cf. Dt 4,1-2.6-8). Ela foi constituída para o bem do ser humano, para a sua liberdade e defesa da vida. A Lei é expressão da vontade de Deus.

A novidade na prática da Lei trazida por Jesus é esta: do exterior para o interior. Ele parte de um princípio de que nenhum alimento pode contaminar o ser humano. Os alimentos são digeridos e expelidos para fora do corpo. Não se pode dar um sentido religioso a algo que vem da natureza.

O que torna impuro é o que está no coração: “más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (Mc 7,21-22). As coisas ruins tornam impuro o coração do ser humano, interferem no seu proceder, contaminam e destroem os relacionamentos.

Jesus ensina que a impureza é consequência de uma opção errada na vida. Na cultura semita, o coração caracteriza o ser humano na sua interioridade, autenticidade e totalidade. É o centro da vontade e das opções. Quem faz uma opção errada, torna impura a sua vida.
Jesus traz uma novidade à observância da lei: ela deve brotar do coração.

Os fariseus tornaram a prática da lei um mero formalismo que não mudava o coração. A lei já não gerava mais a justiça, vida e a liberdade.
A prática cristã e a fidelidade à palavra e a Deus não podem ser reduzidas às práticas religiosas formalistas, que não mudam o coração e a realidade das coisas. A fé deve ser vivida na interioridade, na pureza de coração, na sinceridade e honestidade com Deus.

São Tiago nos exorta a receber com “humildade a Palavra” implantada em nós e que nos salva. Precisamos “ser praticantes da Palavra e não meros ouvintes”. A “religião pura e sem mancha diante de Deus Pai” é “assistir os órfãos e as viúvas” e “não se deixar contaminar pelo mundo” (Tg 1,17-18,21b-22.27). E Moisés nos orienta e nos ensina a ouvir, guardar e cumprir com fidelidade “as leis”, “os decretos” e os “mandamentos” do Senhor para termos a vida, a “sabedoria e inteligência” (Dt 4,1-2.6-8)

O mês de setembro destaca a Palavra de Deus. “As divinas Escrituras sempre foram veneradas como o próprio Corpo do Senhor pela Igreja” (DV, 21): esta é uma afirmação de um Documento muito importante do Concílio Vaticano II, chamado de Constituição Dogmática “Dei Verbum”, sobre a Revelação Divina. Ele apresenta princípios fundamentais de leitura da Bíblia. Ajudou muito na sua valorização, leitura, estudo e divulgação.

Há várias vias de acesso ao conhecimento de Deus. Ele pode ser conhecido pela luz natural da razão humana, a partir das coisas criadas. Mas temos a necessidade de iluminar esta revelação. A Bíblia nos ajuda nessa tarefa. Ela é sustento, vigor, luz, firmeza de fé, alimento para a alma. Aponta um caminho de vida, de retidão e de dom total, o caminho de Jesus de Nazaré. Sem a Palavra, podemos nos perder e não perceber o plano de libertação de Deus.

Como ler a Bíblia? Jesus nos ensina.

O relato dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) indica três ocasiões de ensino de Jesus.

a) Ele nos ensina a partir da vida. A realidade é lugar de revelações. Deus se comunica na vida, fazendo conosco um caminho. Emaús de início é itinerário de desolações: os discípulos estão desanimados como quem perdeu o sentido da vida. Jesus caminha com eles, escuta-os,

b) Ele nos ensina explicando as Escrituras.

Deus nos fala através da Bíblia. A sua revelação aconteceu aos nossos primeiros pais, no Antigo Testamento e tornou-se plena em Jesus Cristo. No caminho para Emaús, Ele explica as Escrituras, iluminando a realidade com a Palavra. A Bíblia ajuda a ler e a entender os fatos.
a) Ele nos ensina repartindo o pão.

Na casa de Emaús, Jesus oferece o pão. Os olhos se abrem e os discípulos reconhecem a presença do Senhor ressuscitado. O que importa é caminhar como irmãos, viver em comunidade e partilhar o pão.