Franca, 23 de Outubro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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23/09/2018 - 26º Domingo Comum – Ano B.


Desde 1947 celebramos no último domingo de setembro o dia da Bíblia. A partir de 1971, todo o mês de setembro é dedicado à Palavra de Deus.

“As divinas Escrituras sempre foram veneradas como o próprio Corpo do Senhor pela Igreja” (DV, 21). Esta é uma afirmação de um Documento muito importante do Concílio Vaticano II, chamado de Constituição Dogmática “Dei Verbum”, sobre a Revelação Divina. Este Documento apresenta princípios fundamentais de leitura da Bíblia.

A Bíblia é o livro mais lido do mundo. É lida e utilizada em inúmeras e diversas circunstâncias e situações da vida do ser humano, principalmente em suas orações e celebrações. Apesar dessa familiaridade do povo de Deus com a palavra, a sua leitura e compreensão não são tão simples.

Jesus nos ensina a ler a Bíblia (Lc 24,13-35). Ele nos ensina a partir da vida, pois a realidade é lugar de revelações de Deus. Ele nos ensina explicando as Escrituras, pois Deus nos fala através da Bíblia. Ele nos ensina repartindo o pão.
Marcos 9,38-43.45.47-48 trata de diversos temas. Um deles é a discriminação de pessoas que não fazem parte do mesmo grupo. É um tema ligado à primeira leitura (Nm 11,25-29).

Moisés era o profeta por excelência para o povo. Deus se servia de sua liderança pata transmitir a sua vontade. A partir da queixa deste, 70 anciãos do povo receberam um pouco do “espírito” de Moisés para profetizar. Outros começaram a falar em nome do Senhor, mesmo não participando oficialmente do grupo. Josué protesta: pede que Moisés faça calar esses profetas. Quer exclusividade para os de dentro. Mas Moisés não desautoriza tal prática. Antes, acolhe-a e reconhece o profetismo fora da instituição.

O Evangelho narra um fato análogo. João se dirige a Jesus para denunciar alguém que agia em “nome do Senhor”, e comunicar com certo orgulho a proibição feita a este pelos discípulos. Eles queriam um monopólio do nome de Jesus e do anúncio do Reino.

Jesus respondeu a João: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nossa favor” (Mc 9,39-40).

Moisés e Jesus dão uma lição de tolerância e liberdade. Para ser profeta e discípulo não é necessário pertencer a um grupo fechado.

Jesus é a medida transcendente que supera a discriminação e a divisão.

A ação é dom do Espírito. Ele sopra onde quer e não está preso a nenhum grupo humano. Fazer o bem é tarefa de todos.

Outro tema do Evangelho é o escândalo contra os pequeninos (Mc 9,42-43.45.47-48). No caminho da fé, Jesus ensina a praticar o amor e a esperança.

Escandalizar é prejudicar a vida do outro; é desviá-lo do caminho, levar ao pecado e a perda da fé. É colocar um obstáculo no caminho do outro.

Na passagem, “escandalizar os pequeninos” é o mesmo que prejudicá-los, desviá-los do caminho, ser-lhes ocasião de pecado.
Jesus utiliza três partes importantes do corpo que simbolizam a totalidade da ação humana. Podemos realizar ações que geram a vida ou que nos levam para a geena (inferno).

A mãos lembram o agir: estão ligadas ao serviço que prestamos aos outros. Se o nosso agir está prejudicando alguém, deve ser “cortado”.

O pés lembram o caminhar. Se o nosso caminhar contradiz as orientações de Jesus, deve ser “cortado”.

Os olhos lembram a visão. O verdadeiro discípulo deve ter uma nova visão, uma nova consciência das coisas. Deve olhar a vida como Jesus.
O discípulo age com amor, caminha com esperança e olha com fé.

As instruções de Jesus são atuais. A sociedade de hoje “escandaliza” e muito. Desvia-se do caminho, opõe-se à fé; gera desordens, corrupção e desrespeito à vida.

Jesus quer uma ação que gera a vida, a liberdade e leva ao Reino. É preciso coerência, firmeza, perseverança, caso contrário, estaremos “escandalizando”.

São Tiago (Tg 5,1-6) faz uma severa condenação aos ricos que cometem injustiças; denuncia a sua ganância, a iniquidade e a insensatez. Deus faz justiça: não é a riqueza que salva.
Dom Paulo Roberto Beloto,Bispo Diocesano.