Franca, 13 de Novembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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29/10/2018 - “Bem aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3)


A Igreja celebra numa só cerimônia todos os santos.


A santidade é a nossa participação na vida divina. O Batismo nos confere a santidade: criaturas novas, filhos de Deus, templos do Espírito Santo. Por isso, ser santo é viver a dignidade deste sacramento.

A santidade é dom de Deus. Ser santo é viver segundo o Espírito.

A santidade é dom de Deus, mas Ele conta com a nossa colaboração. Daí a importância de alguns passos no caminho da santidade.Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: sobre a chamada à santidade no mundo atual, o Papa Francisco oferece indicações sobre como viver a santidade hoje. No terceiro capítulo, intitulado “A luz do Mestre”, o Papa faz uma reflexão sobre as bem-aventuranças, como caminho principal para a santidade.

De fato, as bem-aventuranças são indicações no caminho da santidade, um caminho da verdadeira felicidade, “o bilhete de identidade do cristão”, segundo o Papa (nº 63). Jesus subiu à montanha, lugar de encontro com Deus, e ali sentado, com os discípulos próximos, transmitiu seus ensinamentos.


1 - Felizes os pobres no espírito (v. 3). A primeira bem-aventurança é como a máquina do trem que puxa os vagões. É uma síntese do texto. A pobreza no espírito é a atitude fundamental no seguimento de Jesus. É depender de Deus. É buscar apoio só no Senhor. É vencer a idolatria e ser livre para o Reino.

O Papa lembra o que Santo Inácio de Loyola, quando terminou de escrever os Exercícios Espirituais, chamou de “Princípio e Fundamento”. É um resumo do projeto criador de Deus. “O ser humano é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus nosso Senhor e, assim, salvar-se. As outras coisas sobre a face da terra são criadas para o ser humano e para o ajudarem a atingir o fim para o qual é criado. Daí se segue que ele deve usar das coisas tanto quanto o ajudam para atingir o seu fim, e deve privar-se delas tanto quanto o impedem. Por isso, é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é permitido à nossa livre vontade e não lhe é proibido. De tal maneira que, da nossa parte, não queiramos mais saúde que enfermidade, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo somente aquilo que mais nos conduz ao fim para o qual somos criados (EE, 23). “Ser pobre no coração: isto é santidade” (nº 70).


2 - Felizes os que choram (v 4). A aflição nasce da pobreza. Os que choram encontram consolo só em Deus. Os aflitos esperam a justiça do Reino.

O Papa lembra que o mundo de hoje gasta muita energia para escapar das situações de sofrimento, “julgando que é possível dissimular a realidade, onde nunca, nunca, pode faltar a cruz” (nº 75). “Saber chorar com os outros: isto é santidade” (nº 76).


3 – Felizes os mansos (v. 5). Quem é pobre no espírito vive a mansidão, que não é passividade, mas resistência sem violência. Jesus é manso e humildade de coração (Mt 11,29). A mansidão é fruto do Espírito (Gl 5,23), é “expressão da pobreza interior” (nº 74). Viver a mansidão é andar contra a maré daquilo que prega e vive a sociedade de hoje. “Reagir com humilde mansidão: isto é santidade” (nº 74).


4 – Felizes os que têm fome e sede de justiça (v. 6). A chave de leitura do evangelho de Mateus é a “justiça que faz nascer o Reino”. O Pai deseja a justiça. Jesus realiza a justiça. O Espírito leva a comunidade a vivê-la. Por ocasião do seu batismo, Jesus diz: “devemos cumprir toda a justiça” (Mt 3,15). A comunidade deve superar a justiça dos escribas e fariseus (Mt 5,20) e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6,33). Viver a justiça do Reino é a prática perfeita da vida cristã. Buscar a justiça é buscar o seu autor, o próprio Deus. “Buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade” (nº 79).


5 – Felizes os misericordiosos (v. 7). A misericórdia é um sentimento de Deus. É sentir a dor do outro e ser solidário. Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu para nos salvar. A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho. “Olhar e agir com misericórdia: isto é santidade” (nº 82).


6 – Felizes os puros de coração (v. 8). Ter pureza de coração é praticar a vontade de Deus. É ser íntegro, simples, transparente e reto no agir. É ser simples e ter um coração que saiba amar a Deus e ao próximo com sinceridade. Quem tem um coração puro verá a Deus. “Manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade” (nº 86).


7 – Felizes os que promovem a paz (v.9). Viver a paz é buscar a harmonia, o bem-estar, o direito e a justiça. Jesus é a nossa paz (Ef 2,14). A paz que recebemos do Senhor deve entrar em nosso coração e se estender a todos os ambientes em que vivemos. “Semear a paz ao nosso redor: isto é santidade” (nº 89).


8 – Felizes os que são perseguidos por causa da justiça. A perseguição dos discípulos identifica-os com Jesus e com o Reino. “Abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade” (nº 94).

Jesus utiliza a palavra “feliz” ou “bem-aventurado” – sinônimo de santo. “Expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade” (nº 64).

Num dos Prefácios da Missa dos Santos, rezamos que Deus nos oferece esses heróis como “um exemplo para a nossa vida, a comunhão que nos une e a intercessão que nos ajuda”. Assistidos por eles, podemos “correr, com perseverança, no certame que nos é proposto” e receber a “coroa imperecível”. Que os santos intercedam pela nossa santidade.


Dom Paulo Roberto Beloto,


Bispo diocesano.