Franca, 13 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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12/11/2018 - 33º Domingo do Tempo Comum – Ano B


Estamos encerrando o ano litúrgico. O tema próprio de reflexão é a escatologia: os últimos tempos, as últimas coisas, a consumação da história.

Como a Igreja estende a escatolgia?

Celebramos a presença de Jesus na história em duas dimensões diferentes.

Ele veio a primeira vez na sua encarnação, antecipando, aproximando e realizando o Reino de Deus. Jesus Cristo é a realização da salvação e a concretização da plenitude dos tempos. Com Ele, o tempo já começou, as realidades futuras iniciaram-se.

Agora, somos convidados a construir o futuro, que se iniciou. A ressurreição do Senhor colocou a história na plenitude dos tempos e nós somos chamados a participar dessa vitória de Cristo. Tudo volta-se para Ele e para sua obra de redenção.

Os cristãos comprometem-se com a vida, com as realidades terrestres, em marcha para a verdadeira Pátria.

“Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!”, rezamos na liturgia.

Jesus virá uma segunda vez, “para julgar os vivos e os mortos” e inaugurar “novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça (2 Pd 3,13).

As manifestações do Senhor, na sua encarnação e na sua glória, não são motivos de apreensões e medo. Quando Deus se revela, sua bondade, misericórdia e justiça, vão além das ameaças. Por isso, devemos evitar especulações e fanatismos.

Marcos 13,24-32 é a última passagem desse ano litúrgico. Faz parte do seu apocalipse.

Apocalipse é uma palavra que vem da língua grega e quer dizer revelação. Revelar é tirar o véu. Quando algo está encoberto, não enxergamos direito, por isso, é difícil o discernimento e a compreensão. É preciso revelar, tirar o véu e clarear, para que tudo seja compreendido.

Nas Sagradas Escrituras há muito textos apocalípticos. É uma linguagem comum no mundo bíblico. É um modo de se transmitir uma mensagem. Normalmente, essa linguagem surge em épocas de crises, dúvidas e perseguições. A difícil realidade aliena e cega as pessoas, que não conseguem mais discernir, ficam sem saídas e esperança. Como perceber a presença de Deus? Utilizando sinais, imagens fortes, abalos cósmicos. O texto apocalíptico procura iluminar os fatos com a luz da fé. Não é uma mensagem que remete ao futuro, mas transmite conforto, ânimo, esperança, chama a atenção e desperta a fé e a ação para o presente. O texto apocalíptico revela que Deus é o Senhor da história. Ele age salvando o seu povo fiel. Jesus é o Senhor da vida e nos conduz.

Marcos 13 descreve a destruição do Templo de Jerusalém e trata do futuro da comunidade cristã. É uma catequese sobre os fins dos tempos e sobre o rumo da história. Narra a vinda do Filho do Homem, precedida de sinais: “o sol vai se escurecer, e a luz não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão abaladas” (Mc 13,24-25).

Essas catástrofes são sinais da presença de Deus que age na história. Ele tem o poder sobre os elementos cósmicos. Cria novos céus e nova terra. Não há o que temer: Deus é o Senhor.

“O Filho do Homem virá nas nuvens com grande poder e glória” (Mc 13,26) para julgar os que rejeitam a proposta do Reino e salvar os eleitos. Jesus é o Filho do Homem que reúne as pessoa e faz acontecer a justiça.

Como agir diante da vinda do Filho do Homem?

Jesus conta a parábola da figueira (Mc 13,28-21). Quando os seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, é sinal da proximidade do verão.

Os acontecimentos são sinais da presença do Reino e do Filho do Homem. Eles indicam uma realidade, mas são passageiros. Tudo aqui é relativo e provisório. Só a Palavra de Jesus e o Reino são definitivos. Só o amor é para sempre, pois vem de Deus.

“Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,32).

A comunidade não deve ficar especulando sobre o fim dos tempos. Não é essa prática que orienta a vida. A sua missão é permanecer firme na fé. Deve vigiar. Jesus ensina a viver bem o tempo presente.

O Filho do Homem age na história. O cristão deve perceber essa presença e o novo em gestação. Os que acolhem essa novidade que é Jesus serão recolhidos e reunidos.

Devemos viver intensamente o agora, fazendo o bem, praticando o amor e a fraternidade, esperando a manifestação gloriosa do Senhor.Daniel 12,1-3 mostra que Deus é o aliado dos se comprometem com a justiça. Quem é fiel terá parte na vida de Deus e brilhará como as estrelas.

Hebreus 10,11-14.18 revela que Jesus é o portador da salvação definitiva. O seu sacerdócio abriu um caminho novo de acesso ao Pai.Na Eucaristia celebramos a memória do sacrifício de Cristo e nos comprometemos com o seu sacerdócio.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.