Franca, 21 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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12/12/2018 - 3º Domingo do Advento – 2018


O 3ª Domingo do Advento nos convida a alegria. Toda a liturgia canta e celebra esse sentimento fundamental para o cristão.

Por que a alegria? Deus é a fonte da paz e da alegria. Jesus é a nossa alegria. Ficamos felizes com o seu nascimento. A Encarnação do Verbo nos revela que Deus nos ama: um amor gratuito e generoso, sem explicações. Eis a razão do nosso encantamento e da nossa alegria. Eis a razão da nossa Fé. O amor gera a alegria. Quem é amado e quem ama sabe o que é a alegria. Ela é fruto do Espírito Santo, que é amor.

Por que a tristeza? Ela é provocada por vários fatores: a ausência de Deus; o egoísmo, a mesquinhez, a ambição, as injustiças; as notícias negativas; as experiências traumáticas; questões biológicas; o modo como encaramos as adversidades; a ação do inimigo.

Duas leituras nos convidam ao contentamento.

Sofonias 3,14-18ª é um convite à esperança, a coragem e à alegria. O Senhor é rei que defende o povo e exerce a justiça. A alegria brota do perdão de Deus e da possibilidade de restauração da vida.

Filipenses 4,4-7: Paulo transmite à comunidade cristã o grande mandamento da alegria. Mesmo na prisão, o apóstolo encontra motivos para alegrar-se e exortar a comunidade ao mesmo. Ele encontrou o “bem supremo que é o conhecimento de Cristo” (Fl 3,8). Por isso, mesmo nas adversidades, era um homem cordial, afável, alegre, apaixonado por Jesus, apto a fazer o apelo da “alegria no Senhor” (Fl 4,4). Mesmo experimentando a cruz, as ameaças, os perigos, perdendo tudo na vida, sente uma alegre força: a fé em Jesus Cristo.

Paulo testemunha que seguir a Jesus ressuscitado é viver a alegria. Quando estamos unidos a Ele, recebemos o seu amor, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que produz em nós a exultação e a alegria. O cristão é alegre por Jesus, por aquilo que Ele faz, por sua obra de redenção. A alegria vem, então, do Senhor. Sabendo que Ele está presente, o cristão vive alegre, na bondade, na tranquilidade, na oração e na paz.

É esta alegria que o Papa Francisco vive e anuncia: o encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva. Unidos a Ele, amando o que Ele ama, temos a força da ação misteriosa do ressuscitado e do seu Espírito, que nos impulsiona na esperança e na alegria.

Quem vive a alegria em Jesus, pratica a bondade apregoada por Paulo (cf. Fl 4,5). A alegria verdadeira gera a bondade, o perdão. A pessoa torna-se luz para os outros.

Jesus indica como caminho da alegria e felicidade a prática das bem-aventuranças (Mt 5,1-12). De fato, elas são indicações no caminho da verdadeira felicidade, pois, acolher a pobreza no espírito, chorar, viver a mansidão, ter fome e sede de justiça, ser misericordioso e puro de coração, promover a paz, são práticas de quem depende de Deus e busca apoio só no Senhor.

Viver as bem-aventuranças é deixar-se guiar pelo Espírito, é praticar a vontade de Deus e identificar-se com Jesus e o seu Reino. Desta opção de vida brotam a nossa alegria e felicidade.

Só funcionamos no Senhor. Sem Ele, não somos nada. Quando o coração do ser humano está em Deus, torna-se dependente dele, torna-se “barro nas mãos do oleiro” (Jr 18,1-6), ali encontra repouso, satisfação, harmonia e consolação.

As alegrias humanas são justas e legítimas. Mas passageiras e nem sempre provocam o verdadeiro consolo. Só a presença do Senhor nos satisfaz. Quando fizermos de Deus o fundamento e o centro de nossa vida, então iremos experimentar a alegria e a fecundidade de nossas ações. O motivo principal da nossa alegria é saber, então, que Deus existe e isso basta“Andava um padre do deserto sempre alegre e risonho. Nada e ninguém o conseguia aborrecer e tirar o seu humor alegre e boa disposição. Certa vez, alguém perguntou-lhe: “qual era o motivo ou a causa daquela alegria constante?” Respondeu o eremita: “Aconteça o que acontecer, ninguém me pode tirar a Cristo”.

O 3º domingo do Advento continua falando da missão de João Batista. Ele é o precursor, aquele que anuncia o Messias e prepara o povo para a sua vinda (cf. Lc 3,10-18). Em sua pregação, João fala do novo que vem de Deus e as condições para acolhê-lo. Temos nas palavras do profeta uma espécie de programa de vida.

A conversão exige a partilha. É o primeiro requisito para a vida nova. A igualdade fraterna é imprescindível. A ganância impede que o novo aconteça. João exorta os ouvintes a respeitar o direito e a dignidade das pessoas.

O tempo do Advento é um convite à vivência desses apelos de João Batista. Precisamos mergulhar na misericórdia, na lealdade e na justiça de Deus.

A promessa da vinda de Jesus é um convite à alegria pelo sentido e valor dessa presença e também a uma abertura do coração a prática do amor, pois o seu nascimento é um ato gratuito do amor do Pai.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.