Franca, 19 de Agosto de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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22/01/2019 - 3º Domingo do Tempo Comum – Ano C, 2019


O Tempo Comum que estamos celebrando salienta a congregação do povo de Deus. A assembleia se reúne a fim de realizar as ações sagradas do culto cristão, para ouvir a Palavra e participar do sacrifício do Senhor.

Estamos iniciando a leitura do Evangelho de São Lucas, no Ano C. Lucas foi um cristão grego convertido. Não conheceu Jesus pessoalmente, mas através dos apóstolos e testemunhas do Senhor. Foi companheiro e discípulo de Paulo (Cl 4,14; Fl 24; 2Tm 4,11). Homem culto, escreveu um Evangelho bem ordenado, fora da Palestina, entre os anos 80-85. Após o Evangelho, escreveu os Atos dos Apóstolos.

Lucas dedica seus escritos a Teófilo (Lc 1,3; At 1,1-2), que devia ser uma pessoa importante na comunidade. A palavra Teófilo significa amigo de Deus. Muitos especialistas afirmam que os verdadeiros destinatários de suas obras eram os pobres.,

A imagem do caminho marca os escritos de Lucas. Jesus faz o caminho que se realiza na história. Para percorrê-lo, o Filho do Altíssimo (1,32) se fez homem em Jesus de Nazaré (2,1-7), trazendo para dentro da história humana o projeto de salvação que Deus tinha revelado, conforme a promessa feita no Antigo Testamento (1, 68-70)

O Ápice do 3º Evangelho está nas palavras de Jesus na cruz; ‘‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’’ (23,46). A sua morte é a sua libertação nas mãos de Deus. Foi resultado da obediência total e confiante no Pai. Ele fez da sua vida e morte um ato de humildade entrega a Deus. E foi agraciado com a ressurreição (At 2,22-24; 3,15), que revela e legitima o seu caminho de vida e libertação.

As comunidades que receberam os escritos de Lucas enfrentavam situações difíceis. O objetivo do autor é apresentar Jesus como a esperança para esses cristãos em crise.

O texto indicado pela liturgia nesse 3º domingo do Tempo Comum tem duas partes distintas.

A primeira parte (Lc 1,1-4) reúne o prólogo, no qual o autor mostra o que pretende fazer.

Qual é a sua intenção com os seus escritos? Lucas descreve o assunto, o método e a finalidade de sua obra. Recebeu um material da tradição. Fez uma pesquisa com desvelo. Escreveu com ordem lógica, originalidade e objetivos definidos.

A segunda parte (Lc 4, 14-21) narra o conhecido episódio na sinagoga de Nazarém que trata do programa de Jesus.

O texto diz que Jesus foi conduzido pelo Espírito. Convém destacar que Lucas é conhecido como um teólogo do Espírito Santo, sempre presente em momentos significativos e em ação. Na sinagoga, lugar do encontro religioso do judeus, Jesus fez o que poderia fazer um judeu adulto: ler um texto dos profetas, ou de outro livro das Escrituras e explica-lo aos ouvintes. O texto escolhido é do profeta Isaías que narra as promessas de libertação para os pobres, a partir da presença de um Messias (Is 61, 1-2).

A novidade está na explicação da leitura de Jesus. Ele é o Messias que veio cumprir essa missão: veio libertar os pobres e restaurar o Ano de Graça do Senhor – ano do perdão de todas as dívidas e redistribuição das terras e propriedades. Jesus veio realizar essa experiência de fraternidade e comunhão.

Quando Jesus fala ‘‘hoje’’, está se referindo a sua atividade terrestre e também a sua presença nas comunidades e na evangelização da Igreja, que confia em Deus, que ama e perdoa.,

Neemias 8,2-4ª.5-6.8-10 narra a leitura que Esdras fez do livro da Lei. Este sacerdote encontrou na Palavra de Deus o instrumento para congregar e reunir o povo e iluminar a sua vida. Ouvindo com atenção a leitura do texto, o povo aclama e chora. Encontra nele o sentido de sua vida. Esdras exorta toda a assembleia à alegria e a celebrar a festa. A alegria do Senhor é a força do seu povo (Ne 8,12).

Em 1Cor 12,12-30, Paulo exorta a comunidade a viver a unidade. A comunidade é um corpo. Cada parte do corpo tem a sua função e o seu valor. Na comunidade todos são importantes, cada qual com seus dons. O Espírito gera a unidade e o serviço mútuo.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.