Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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20/02/2019 - 7º Domingo do Tempo Comum – Ano C


Lucas 6,27-38 dá continuidade ao “Sermão da Planície”. Dois versículos sintetizam a sua mensagem: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles... Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,31.36).

Jesus apresenta as exigências do amor cristão. Um amor gratuito, que sabe perdoar, que não julga, é generosos e faz o bem. O amor ao inimigo é a expressão perfeita da gratuidade do ato de amar.

O Pai é a medida do amor. Ele oferece o seu coração aos que sofrem, oferece a sua vida, ama de graça. Sempre está pronto a perdoar. Como reza o salmo 102: “O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas” (Sl 102,8-10).

Se Jesus insistiu no mandamento do amor, é porque esta experiência é fundamental na vida do ser humano.

Primeiramente, em Deus que é amor, encontramos a verdade da nossa vida. É do seu amor que vivemos e é para esse amor que vivemos.

Depois, do amor recebido e doado, experimentamos uma necessidade básica e exercemos a nossa vocação fundamental.

Mas nem sempre é fácil amar. Seguem algumas indicações para a prática do amor no relacionamento com as pessoas.

1 - Não critique, não julgue e não condene o outro. Erro nenhum justifica a crítica.

2 – Há necessidade de correção, mas que seja com amor. Há o tempo certo para isso.

3 – Elogie, valorize e qualifique sinceramente o outro, seja cortes, fale de assuntos que lhe interessa, respeite a sua opinião, mostre-se simpático às suas ideias e desejos, chame-o pelo nome, seja um bom ouvinte, pois ao agir assim, estaremos fazendo que ele se sinta importante. Amar é dar atenção e ver que a pessoa tem valor mim. É preciso esforço para entender cada ser humano, as razões de sua conduta. É importante colocar-se no lugar do outro.

4 - É bom sorrir. Um sorriso verdadeiro, que vem do nosso interior.

5 - Evite as discussões, já que o melhor meio de vencê-las, é evitá-las.

6 – Reconheça o erro imediatamente, pois essa atitude alivia a sensação de culpa e ajuda a resolver os problemas.

7 - Nunca envergonhe alguém em público.

8 - É preciso ter compreensão, tolerância e paciência com as pessoas. É preciso saber perdoar, pois o perdão é uma abertura para o amor.

9 - É preciso praticar a solidariedade, ter misericórdia e compaixão, saber consolar aqueles que choram.

10 – Reze pelas pessoas e as abençoe: na oração vejo-as com outros olhos e na bênção desejo a elas o que precisam.

O relacionamento humano exige um ultrapassar a nós mesmos. Se não temos o alimento espiritual necessário, curvamo-nos na comodidade, na segurança, ou nos refugiamos em outras coisas. Precisamos da graça de Deus. Para nós, cristãos, um relacionamento sadio deve ser buscado na oração, na escuta da Palavra de Deus, na Eucaristia e na Confissão.

O Espírito nos ajuda a amar e caminhar rumo à santificação. Ele intercede por nós e nos impulsiona a ser canais do amor de Deus. Ele nos leva a olhar as pessoas como irmão e irmã.

“Cada palavra, cada gesto, cada telefonema, cada decisão deve ser a coisas mais bela de nossa vida. Reservemos a todos o nosso amor, o nosso sorriso, sem perder um segundo” (Francois X.N. Van Thuan).

“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz” (Madre Teresa de Calcutá).


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo de Franca – SP.