Franca, 21 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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27/02/2019 - 8º Domingo do Tempo Comum – Ano C


Em Lucas 6,39-45, quase concluindo o sermão da Planície, a nova lei, Jesus dirige aos ouvintes algumas comparações e advertências, que ajudam no discernimento. É bom lembrar que quem ouve são os discípulos, isto é, os seus seguidores.

Alguns temas: um cego não pode guiar outro cego; o discípulo bem formado será como o mestre; não se pode tirar um cisco do olho do irmão, se não vemos a trave que há no nosso; a árvore é conhecida pelos seus frutos; toda fruta é tirada da planta certa; é do coração que brotam coisas boas ou más.

No centro das advertências, Jesus fala de hipocrisia. O que é a hipocrisia? É a incoerência, a dissimulação, a falsidade, a esperteza, a duplicidade. É viver de aparências. A hipocrisia é uma atitude de se querer enganar o próprio Deus. Talvez aquilo que condenamos ou detestamos nos outros, se encontra em nós mesmos, até em medida maior.

Jesus exortou no Sermão da Planície a prática da misericórdia, semelhante a do Pai celeste. O que caracteriza os seus discípulos é o amor fraterno. Vivendo assim, serão recompensados e chamados “filhos do Altíssimo” (Lc 6,35). Não basta escutar as palavras de Jesus e ter o nome de discípulo. É preciso coerência. É preciso produzir bons frutos.

A Palavra de Deus nos convida a honestidade, a transparência, a pureza de coração e a sinceridade. Ela “mostra o coração do homem” (Eclo 27,7). Ela exige testemunho de vida.

Como é importante o nosso testemunho! O cristianismo propagou-se e cresceu muito mais pela santidade dos seus membros do que pela pregação. O “ser discípulo” exige testemunho, pois ele fala mais forte.

São Paulo VI dizia: "O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas" (EM, 41). É a coerência de vida que dá consistência e autoridade ao que falamos. O bom exemplo diz mais do que bonitas palavras.

A hipocrisia tira a credibilidade. Jesus quer nos curar deste mal. Ele nos ajuda a fazer um exame de consciência e nos convida à conversão.

Sejamos “firmes e inabaláveis”, empenhando-nos “cada vez mais na obra do Senhor, certos de que” nossas “fadigas não são em vão, no Senhor” (1 Cor 15,58).

Dom Paulo Roberto Beloto,


Bispo Diocesano.