Franca, 22 de Março de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

10/03/2019 - 2º Domingo da Quaresma – 2019 Pascom dia 11


O 2º Domingo da Quaresma narra um dos momentos mais importantes no ministério de Jesus, presenciado por Pedro, João e Tiago, que é a transfiguração (Lc 9,28-36). Nesse encontro místico e íntimo, se transfigura e experimenta a glória do Pai. O centro da cena é a voz de Deus: “Este é o meu Filho, o escolhido. Escutai o que ele diz!” (Lc 9,35).

Jesus é o filho escolhido, o servo, o enviado do Pai que age em seu nome. Ele veio realizar a salvação da humanidade. Toda a ação missionária de Jesus revela os desejos de Deus, sua vontade e suas intenções.

Jesus inaugura um caminho de serviço, de amor, de entrega e de cruz. Não é um caminho de derrota, mas de vida. A cena da transfiguração antecipa a vitória do Senhor. A presença de Moisés e Elias revela Jesus como aquele que realiza a Lei e os Profetas.

Na sua vida, missão, morte e ressurreição se concretizam as promessas do Antigo Testamento. Jesus foi crucificado, mas venceu a morte e foi glorificado pelo Pai. O seu caminho agora é o único capaz de vencer as ambiguidades humanas. O amor dá sentido à cruz e transforma a história. Quando o amor está presente, Deus aí está.

A cena da transfiguração revela duas dimensões em nossa fé:

Somos discípulos do Senhor, chamados a entrar em comunhão com Ele. Subimos à montanha com Jesus, Pedro, João e Tiago. Contemplamos o seu rosto.

“Mestre, bom é estarmos aqui, reunidos bem perto de ti, no silêncio e na paz. Mestre, reunidos no amor, nós viemos ao Monte Tabor para em ti repousar” (Pe. Joãozinho). A união com Deus é fundamental. Sem ela, ficamos às escuras sobre Ele e sobre nós mesmos.

Alguns lugares de encontro com o Senhor: Sagradas Escrituras, Sagrada Liturgia, oração pessoal e comunitária, amor fraterno, caridade aos pobres, aflitos e enfermos, piedade popular, Igreja.

Somos missionários do Senhor, testemunhas do seu Evangelho.

“Mestre, ao sairmos daqui nós iremos teus passos seguir com sementes nas mãos. Mestre, nós queremos plantar o teu Reino em todo lugar e crescer como irmãos” (Idem). A vida cristã brota da identificação com Cristo em seu ser e em sua missão apostólica.

Um rei recebeu, em audiência, alguns engenheiros encarregados de projetar a construção de uma estrada de ferro que ligaria duas grandes cidades. Verificou o monarca que os técnicos não chegavam a um acordo. Afirmava um, apontando para o mapa, que o traçado mais vantajoso exigia certa ponte. Opinava outro por um túnel. Garantia um terceiro que a estrada devia passar por umas tantas vilas e aldeias. Impaciente com todas as opiniões desencontradas e, resolvido a solucionar o caso, disse-lhes: “Tragam uma régua e um lápis”. Colocando a régua sobre o mapa traçou com o lápis uma reta cujos extremos eram as duas grandes cidades. E dirigindo-se ao chefe dos engenheiros, disse-lhe: “Eis o traçado da nova estrada, o único aceitável é este”. Os homens traçaram uma infinidade de caminhos para o céu. Não obstante, só existe, na verdade, um: é a reta para Cristo.

Paulo diz que Cristo transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso (cf. Fl 3,17-4,1). O apóstolo faz uma crítica dura àqueles que se colocam contra o caminho da cruz. Buscam segurança nos projetos humanos. Estão equivocados. O único caminho verdadeiro é o que o Senhor nos deixou.

Nossa confiança deve estar em Deus. Somos fortes porque pertencemos a Ele. Precisamos acreditar nele como Abraão (cf. Gn 15,5-12.17-18).


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo diocesano.