Franca, 17 de Julho de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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17/03/2019 - 3º Domingo da Quaresma


Seguimos o nosso retiro quaresmal, rumo à Páscoa do Senhor, quando celebraremos sua paixão, morte e ressurreição, coração da fé cristã.

No 3º domingo lemos Lucas 13, 1-9. Na cena, Jesus transmite uma mensagem aos ouvintes a partir de dois fatos trágicos: o primeiro foi o assassinato de alguns galileus por Pilatos, enquanto ofereciam sacrifícios no Templo; outra tragédia foi a queda da torre de Siloé, que matou 18 pessoas.

Para a mentalidade da época, essas catástrofes eram consideradas castigos de Deus para aqueles que pecaram. Para Jesus, Deus não castiga os maus e recompensa os bons. As tragédias são sinais e devemos tirar delas lições. Os pecadores não são somente os que morreram nesses acontecimentos, mas todos são culpados pelo destino das coisas. Todos são pecadores e precisam de conversão.

Deus não é vingador, mas misericordioso. O seu amor é um convite à mudança de vida. Quando fazemos o mal, Ele não castiga. Tal prática já traz em si as consequências.

Após as lições, Jesus contou a parábola da figueira estéril. Ela é símbolo do povo de Israel. Deus é o dono da figueira. Ele a plantou e esperava dela os seus frutos. Jesus é o agricultor. Como a figueira não produziu, é inútil, não tem sentido que continue a viver. Mas o agricultor intervém: pede mais tempo; vai adubá-la, esperando obter os frutos.

Jesus confia no ser humano, apesar de sua possível esterilidade. É solidário. Ele conhece as nossas debilidades e defeitos, mas sabe também que temos qualidades e virtudes. Tem paciência para conosco. Confia em nós, até no absurdo. Precisamos acolher essa confiança e produzir frutos de justiça, de amor e de paz.

Duas mensagens importantes:

Jesus nos ajuda a tomar consciência da nossa condição de pecadores. Mas essa atitude não deve nos desesperar. Devemos ter paciência, já que é fácil desanimarmos com os nossos próprios defeitos, sempre repetidos, sem conseguir superá-los. Devemos saber esperar e nunca desanimar. Enquanto estivermos lutando, estaremos amando a Deus. E Ele espera o nosso tempo. Precisamos fazer as pazes com os nossos defeitos. Por isso é preciso humildade, ela é caminho para Deus.

É preciso tirar as sandálias, como Moisés, diante do Senhor (cf. Ex 3,1-8ª.13-15). Ele nos atrai com a sua santidade e nos santifica com a sua presença. Se estamos de pé, devemos tomar cuidado para não cair (cf. 1 Cor 10,12).

Jesus quer que produzamos frutos de amor, perdão e solidariedade. O Pai nos quer santos. Ele é fiel e espera a nossa fidelidade.A graça de Deus em nós é como se fosse uma energia elétrica. Quando a energia chega numa lâmpada provoca a luz, iluminando o ambiente. Quando acolhemos a graça de Deus, recebemos uma força capaz de nos ajudar a fazer o bem, a produzir frutos e iluminar a vida dos irmãos. Seremos fonte de vida e de graça para os outros.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo diocesano.