Franca, 20 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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24/03/2019 - 4º Domingo da Quaresma


O 4º Domingo da Quaresma traz uma das passagens mais belas do Evangelho de Lucas, que é a parábola do pai misericordioso (Lc 15,1-3.11-32). Esta estória revela que Deus nos ama e quer nos salvar. Ele ama os pecadores com seu amor misericordioso e gratuito.O pai é a figura central na história. Destaca-se com as características: a humildade – respeita a liberdade do filho, aceita limitar o seu poder; a esperança – espera o regresso do filho; a misericórdia – não olha o seu pecado, mas o seu coração arrependido; o seu amor pelos dois filhos transforma-os em irmãos; a coragem – vai ao encontro do filho, a sua autoridade não está na distância, mas no amor; a alegria – a volta do filho provoca festa e alegria, é sinal de vida; o sofrimento – a parábola revela um Deus que sofre, porque ama, não é indiferente.

O filho mais jovem. O seu pecado é deixar o que tem de mais valioso para viver só. O pecado é a divisão dos bens. É o pecado da riqueza, da vontade de ser dono de sua vida, de querer colocar-se no lugar de Deus, de separar-se dele. O pecado é a separação de Deus. A tragédia do pecado é a degradação.

É muito importante o caminho de volta. A salvação do filho acontece na humildade, no reconhecimento de suas necessidades e na coragem de dizer a verdade sobre si. É importante reconhecer o exílio exterior, que é a saudade de casa. Mas muito mais importante é reconhecer o exílio interior, a raiz profunda do mal, o reconhecimento que pecamos contra Deus.

O filho mais velho. É digno de todos os elogios, pois nunca transgrediu nada. Mas não compreende as atitudes do pai. É distante.O seu pecado é não perdoar. Nunca entendeu o que é o amor. A vizinhança exterior não significa a vizinhança do coração.

A figura do filho mais velho lembra os fariseus, que tinham uma compreensão equivocada da justiça. Para eles, a salvação é mérito humano. O homem dá o primeiro passo. Deus retribui como devedor, de acordo com as obras. Essa compreensão de Deus e da religião é estreita, fechada e exclusivista. Muitos não participam da graça.

A parábola continua em nossa vida. Ela nos convida a celebrarmos a misericórdia do Pai. Somos o filho que quer viver só e fazer da vida o que bem entender, como se Deus não existisse, ou o filho que se fecha na sua justiça e não entende o que é o perdão e o amor.

Jesus conta a parábola para nos ajudar a celebrar a nossa condição de novas criaturas. Quem está em Cristo é uma criatura nova (2 Cor 5,17). Ele é a nossa reconciliação. Em Cristo, Deus tirou “de cima de nós o opróbrio” (Js 5,9).

Como é bom confiar no perdão e na misericórdia de Deus! “É importante a coragem de me entregar à misericórdia de Jesus, confiar na sua paciência, refugiar-me sempre nas feridas do seu amor” (Papa Francisco).

Umas das experiências mais belas da vida de Charles de Foucauld foi o perdão, quando se encontrou com o padre Huvelin, que lhe propôs o primeiro passo no caminho da conversão, a confissão: “Se há felicidade no céu por um pecador que se converte, isso ocorreu quando entrei naquele confessionário. Eu pedi aulas de religião, ele me fez ajoelhar-se e fez que me confessasse”. O irmão Carlos reencontrou Deus pelo sacramento da confissão, por seu amor infinito e misericórdia sem medida. Deus nos procura e nos encontra, através das “brechas das nossas fraquezas e miséria”. O nosso mérito está na misericórdia de Deus, dizia São Bernardo.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo diocesano.