Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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31/03/2019 - 5º Domingo da Quaresma – 2019


No 5º domingo da Quaresma lemos e meditamos João 8,1-11. Estamos diante de um fato premeditado pelos mestres da lei e fariseus. Queriam apanhar Jesus em contradição para poderem acusá-lo. Segundo a Lei de Moisés (Dt 22,22; Lv 20,10), uma mulher e um homem surpreendidos em adultério teriam como pena a morte.

No caso apresentado, a mulher já tinha a sua sentença decretada. Jesus poderia cair em contradição, dependendo da sua resposta à pergunta dos mestres da lei e fariseus. Caso concordasse com as prescrições da Lei, estaria negando a sua prática de amor. Se fosse contrário ao apedrejamento, negaria a Lei e poderia ser condenado. A sua reação desarma escribas e fariseus. A resposta e as palavras de Jesus à mulher revelam o sentido da sua missão. Ele veio para salvar. O Pai não quer a morte do pecador, mas a sua conversão e a sua vida.

Os fariseus eram fiéis observantes da Lei. Mas eram muito rígidos. Não aceitavam as atitudes de Jesus. Para eles, os pecadores deveriam ser castigados. Não aceitavam a misericórdia e a compaixão como princípio de vida, de julgamento e de relacionamento social.

A cena da mulher adúltera coloca em comunhão e sintonia os momentos que constituem o mistério cristão: Encarnação, Páscoa e Pentecostes.“O Verbo se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus” ... e para “nos tornar “participantes da natureza divina” (2Pd 1,4) (CIgC, 458. 460).

Somos criados à imagem e semelhança de Deus, queridos e amados por Ele. Essa é a nossa dignidade como pessoas. A nossa existência é bela e deve ser assumida com intensidade, sabedoria e responsabilidade. Temos valores e dons. Mas também estamos sujeitos a limites e pecados. Deus nos enxerga assim, por inteiro, e assim nos ama.

Jesus viu na mulher adúltera uma pessoa, que precisava ser amada e restabelecida na sua dignidade. A consciência do pecado nasce da experiência do amor de Deus. Esta descoberta nos leva a reconhecer a nossa pequenez, a necessidade da graça e é princípio da nossa conversão.“O Verbo se fez carne para no salvar, reconciliando-nos com Deus” (Idem, 457). Jesus veio não para nos julgar ou condenar, mas para nos salvar. Não veio para chamar justos, mas pecadores (Mt 9,13). Por isso, diz à mulher: “Eu também não te condeno” (Jo 8,11). Só Ele pode nos libertar do pecado. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o único capaz de ler a nossa história e apagar os nossos pecados. A sua misericórdia e perdão abrem caminho para a conversão.

“O Verbo se fez carne para ser nosso modelo de santidade” (CIgC, 459). Jesus não nega a gravidade do pecado, pois ele é “falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; falta ao amor verdadeiro” (Idem 1849). Por isso, diz à mulher “Podes ir, e de agora em diante não peques mais” (Jo 8,11). Ele quer a nossa conversão, uma vida nova, a nossa santidade.

Acolhemos o perdão e o oferecemos aos outros. Ele é fundamental na vida do ser humano. O perdão é um ato de fé, uma necessidade, um exercício da vontade, uma decisão. É o remédio para curar as feridas do coração. O perdão é um atributo dos fortes; a condenação, dos fracos.

A fé nos leva a acolher a vida nova. “Eis que farei coisas novas, e que já estão surgindo” (Is 43,19). A fé consiste em “conhecer a Cristo, experimentar a força da sua ressurreição” (Fl 3,10). Ela nos leva a amar, a perdoar e a acreditar na justiça. O cristão é como um atleta em busca do prêmio: Jesus é o nosso prêmio.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.