Franca, 20 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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09/04/2019 - Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor


Certa senhora, embora dotada de grande formosura, tinha um defeito: possuía as mãos enrugadas, quase disformes. Sua filha caçula, embora curiosa, nunca tocara no assunto. Mas um dia, não pode se conter, e confessou:

- Mamãe, eu gosto muito do seu lindo rosto, dos seus olhos, dos seus cabelos, mas não gosto de suas mãos, elas são tão feias!A carinhosa mãe contou-lhe o seguinte:

Uma noite, quando você ainda era neném, estava dormindo em paz no seu bercinho. Sentimos o cheiro de fumaça, e eu subi desesperada às escadas da nossa casa e encontrei o quarto em chamas. Quis Deus que eu a salvasse mas, desde então, as minhas mãos ficaram assim.

A inocente criança ficou silenciosa por alguns instantes, depois disse:

Mamãe, eu gosto do seu rosto, dos seus olhos, dos seus cabelos, mas agora gosto ainda mais de suas mãos.

Estamos iniciando a Semana Santa, celebrando o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. A cerimônia de hoje é uma chave de leitura para se entender o mistério da Páscoa.

Acolhemos o amor de Deus por nós, na pessoa de Jesus, que se ofereceu para nos salvar: é por nossos pecados que o Senhor vai à Paixão.

Jesus é aclamado como rei na sua entrada em Jerusalém. Reconhecemos a entrada de Jesus em nossa vida: Ele é o único que pode dar sentido à nossa existência. Quando o acolhemos, recebemos o amor, a vida e a salvação.

A primeira (Is 50,4-7) e a segunda leituras (Fl 2,6-11) apresentam Jesus como o Servo que revela o amor perene do Pai, que se humilha, despoja-se de tudo, até da própria vida por causa da sua missão. Por isso, o Pai o exalta e o trata como Senhor.

Lucas 22,14-23,56 narra a paixão de Jesus, evitando os detalhes cruéis e humilhantes. Ele é o modelo do justo sofredor.

Destaques:

Lucas 22, 14-38: preparação da Ceia, celebração, anúncio da traição, lição sobre o maior, predição da negação de Pedro, hora decisiva. Jesus tem desejo ardente de comer a ceia pascal com os discípulos. Oferece-se como nosso alimento. Valor da Eucaristia.

Lucas 22,39-46: Oração no monte das Oliveiras. A oração é a força e o sustento. Jesus encontra esperança somente no Pai.

Lucas 22, 47-71: Traição. Prisão. Negação de Pedro. Zombaria dos guardas. Diante do Sinédrio. Jesus assume a sua condição de Filho de Deus. Assina a sua própria condenação.

Lucas 23, 1-25: Processo civil diante de Pilatos e Herodes. Jesus é apresentado como desestabilizador e usurpador do título real de Israel. É o justo e inocente perseguido.

Lucas 23, 26-49: Condenação, crucificação e morte. Palavras de perdão, de amor e de aliança com o Pai.

Lucas 23,50-56: Acontecimentos sucessivos após à morte de Jesus. Ação de José de Arimatéia: mesmo diante das prescrições da Lei, que proibia o contato com um cadáver, prescinde participar no banquete pascal e como “bom samaritano”, escolheu sepultar o corpo de Jesus. Presença das mulheres.

O que aprender com a paixão de Cristo? Ele morreu por nós Não podemos abandoná-lo neste momento de solidão. A nossa participação na paixão do Senhor deve fazer crescer em nós o santo temor de Deus. Nesta Semana Santa que se inicia, devemos fazer a experiência da morte do homem velho com Cristo e deixar nascer o novo que vive segundo Deus.


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.