Franca, 17 de Julho de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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29/04/2019 - 3º Domingo da Páscoa - Pascom


O 3º Domingo da Páscoa traz a passagem de João 21,1-19, que relata a aparição de Jesus ressuscitado junto ao lago de Tiberíades.

Primeiramente, Jesus se manifesta a Simão Pedro, Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu (Tiago e João), outros dois discípulos (Jo 21,1-14). O número sete indica a totalidade. Pedro é o líder do grupo.

A pesca e símbolo da ação da Igreja nascente. Sem Jesus, ela é infrutífera. A noite lembra as dificuldades e os desafios que normalmente se apresentam. Sem o Senhor, a missão entra em crise, a Igreja corre o risco de perder a sua identidade. Sem a fé na ressurreição, a tarefa da comunidade é estéril.

O tempo da Páscoa que estamos celebrando quer nos curar da ausência.

Mas mesmo nas dificuldades – noite longa, trabalho penoso, tempo adverso – permanece necessária a colaboração de todos. Há uma participação mútua. E Jesus se manifesta nessa perseverança comum.

O Senhor é visto de manhã: indicação da sua ressurreição.

Alguns sinais importantes da manifestação:

a concessão do prêmio à constância de quem permanece junto com o grupo, que é a presença de Jesus;

o prêmio à constância de quem segue as suas indicações: a missão da comunidade tem sucesso quando esta obedece ao mandato do Senhor; a pesca abundante é a recompensa; os 153 peixes lembram os povos reunidos;

Jesus se manifesta com a sua bondade, amor e amizade, através dos sinais: brasas, pão, peixe, refeição; são indicações da Eucaristia.

O Mestre oferece a sua vida, mas pede a colaboração dos discípulos.

Pedro está disposto a servir e a enfrentar os desafios – joga-se no mar, arrasta as redes. São indicações da missão da Igreja.

Num segundo momento, temos um colóquio íntimo e tenso entre Jesus e Pedro (Jo 21,15-19). A este é oferecido um encargo pastoral que se funda numa relação de confiança e filial intimidade. Pedro assume o papel de Jesus como pastor.

Amar a Jesus é dar a vida. Ser pastor na Igreja é dar a vida. O ofício funde-se no amor e nas provações. A vocação do discípulo é seguir o caminho de Jesus.

A Igreja tem a Pedro como pastor. Devemos reconhecer no Papa a presença do Senhor. A ele a nossa solidariedade e oração. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18).

Atos dos Apóstolos 5,27b-32.40b-41 descreve os desafios das atividades dos apóstolos, após Pentecostes: eles são proibidos de ensinar o nome de Jesus. Diante da proibição, Pedro e os demais apóstolos respondem ao sumo sacerdote, que “é preciso obedecer a Deus, antes que aos homens” (At 5,29). Eles, e o Espírito Santo, são testemunhas da ressurreição de Jesus, do seu nome e da sua redenção. Anunciam com destemor, amor e alegria essa missão.

No livro do Apocalipse, depois de escrever as cartas para as comunidades, João tem a visão de uma “porta aberta no céu”, e uma voz convidando-o a entrar para mostrar “as coisas que devem acontecer” (Ap 4,1). Entrando no céu, ele vê um trono e nele “guém sentado” (4,2), com um livro na “mão direita”, “lacrado com sete selos” (5,1). É o livro que contém o roteiro da história. Ninguém é capaz de abrir este livro (5,3), por isso João chorava muito (5,4). Um ancião o consola, dizendo que o “leão da tribo de Judá, o rebento de Davi, venceu, para abrir o livro e seus sete selos” (5,5). João não vê nenhum leão nem rebento, mas um “Cordeiro, de pé, como que imolado” (5,6). O Cordeiro imolado é Jesus, o único capaz de ler a nossa história e apagar os nossos pecados, que merece a nossa adoração. Ele e o Pai, “que está sentado no trono”, são dignos “de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor” (5,12.13).


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.