Franca, 20 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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07/05/2019 - Pascom 4º Domingo da Páscoa


João 10 é uma síntese da obra redentora de Jesus. Ele se apresenta como o “bom pastor que dá a vida pelas ovelhas” (v.11).

João utiliza várias imagens para nos apresentar a pessoa de Jesus: Ele é o Verbo encarnado, o pão da vida, a luz do mundo, a porta, a ressurreição e a vida, o caminho, a verdade e a vida, a videira verdadeira. Ele é o bom pastor.

A imagem do pastor é muito conhecida nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Era aplicada a Deus, ao chefe, ao líder, ao rei, ao pai de família.

O pastor tinha uma relação íntima com suas ovelhas: conhecia cada uma, chamava-as pelo nome, protegia e tratava o rebanho com carinho.

Quem exercia certa autoridade deveria agir como o pastor de ovelhas.

O profeta Ezequiel (Ez 34) denunciou os maus pastores. Assim como Jesus. Ele se colocou como o pastor e a porta da ovelhas. Por essa porta, as ovelhas podem passar sem perigo, pois ela conduz à vida.

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão” (Jo 10,27-28).

Somos preciosos aos olhos de Deus. Cada pessoa está no seu coração. Cada vida encerra em si um valor bendito e sagrado.

A vida que Jesus quer proteger é muito mais do que podemos imaginar. É maior do que a vida que conhecemos. Ele nos quer para Ele. Essa predileção revela o seu amor. Fomos comprados por um grande preço. Cristo nos resgatou, nos libertou, nos abençoou, nos escolheu, nos santificou e nos predestinou para sermos filhos de Deus Pai (1Cor 6,20; Ef 1,3-14; 1 Pd 1,18-19; Hb 10,10). Em Jesus participamos da vida divina. O seu amor é a vida de Deus que tanto precisamos e desejamos.

Jesus nos ama na liberdade. O seu amor é gratuito. Ele nos justifica e nos purifica com a sua graça e nos oferece as condições para amar. A fé em Jesus nos ajuda a sair das limitações do pecado. Quando experimentamos a graça de Deus, em Jesus, somos capazes de testemunhar.

Em Ap 7,9.14b-17, João vê “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão”. São os que “vieram da grande tribulação”, da perseguição do império romano. Lavaram e alvejaram suas vestes no sangue do Cordeiro. Estão diante do trono de Deus. São protegidos e consolados por Ele e pelo Cordeiro, seu pastor. Jesus os conduz para as fontes da vida. Somente Deus e o Cordeiro podem salvar. Somente eles merecem nosso louvor e adoração.

No Dia Mundial de orações pelas vocações, lembramos que a vocação é seguir a Jesus. Ele é o bem maior e o motivo de nossas renúncias e acolhimento de uma nova proposta de vida. A vocação é um sim que se renova todos os dias, no seguimento do Senhor da vida. Viver a vocação é ouvir, reconhecer, seguir e imitar o Cordeiro imolado, nosso bom pastor. É abraçar com convicção o caminho da fé, mesmo enfrentado adversidades, “sacudindo a poeira dos pés”, com a “alegria e a unção do Espírito”, seguindo firmes às fontes das águas da vida eterna (At 13,14.43-52).


Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.