Franca, 20 de Maio de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

14/05/2019 - 5º Domingo da Páscoa


João 13,31-33ª.34-35 faz parte do conhecido “Livro da Comunidade”, ou “Livro da Glorificação” (Jo 13-17). É um conjunto de orientações e exortações de Jesus aos “seus”. No contexto da celebração da Ceia com os Doze, no cenáculo, Ele realizou um gesto desconcertante, lavando os pés dos discípulos. Foi um ato de amor e humildade: Jesus amou, servindo. Após o gesto, temos uma espécie de catequese, com as últimas lições do Mestre, através de palavras marcadas pela intimidade, ditas num clima de silêncio, discrição e contemplação. No centro de tudo, está o mandamento novo: a prática do amor.

Na passagem indicada na liturgia, Jesus falou de sua glorificação: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo” (Jo 13,31-32). A glória de Jesus é a revelação do projeto de Deus. Nele, o Pai se revela e a sua vontade aos seres humanos. A glória do Filho se manifesta no mistério pascal, na sua entrega fiel e obediente, morrendo na cruz. O Pai o ressuscitou pelo poder do Espírito.

“Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). Jesus foi glorificado porque amou os “seus que estavam no mundo até o fim” (Jo 13,2). Agindo assim, restabeleceu as relações dos seres humanos com Deus e entre si.

O amor é a resposta ao vazio deixado pela ausência de Jesus. Ele estabeleceu entre ele e os discípulos um outro tipo de presença: Deus habita o coração de quem ama. Na prática do amor, os discípulos revelam-se como seguidores de Jesus.

A novidade do mandamento deixado por Jesus é amar como Ele amou, porque Ele nos amou, oferecendo a sua vida, servindo gratuitamente. Jesus nos ama, resgatando a nossa condição de filhos livres. Ele nos justifica e nos purifica com a sua graça. O seu amor é novo porque é capaz de renovar e transformar a nossa vida e as relações humanas.

Este é o caminho que Jesus nos deixou: o da obediência e fidelidade à vontade do Pai. Obediência à verdade, à liberdade, à vida, à santidade, ao serviço e ao amor fraterno.

De fato, amar como Jesus amou, gratuitamente, é a nossa única dívida, o cumprimento pleno da Lei, como diz o apóstolo Paulo (Rm 13,8.10). Quando vivemos assim, seremos reconhecidos como discípulos de Jesus (Jo 13,35).

Atos 14,21b-27 narra a conclusão da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Esses apóstolos encorajam os discípulos e os exortam a ficarem firmes na fé, mesmo diante das tribulações e das oposições ao projeto de Deus. A perseverança revela a fidelidade a Deus.

Em Apocalipse 21, João descreveu como será o fim, o que Deus preparou para aqueles que o amam. Esse “fim de caminhada” é dom de Deus e fruto da fidelidade e perseverança dos cristãos. Irão participar aqueles que têm o nome escrito no “Livro da vida do Cordeiro”. O futuro é descrito através de imagens: “novo céu e nova terra” (v.1), “nova Jerusalém” (v.2), “noiva enfeitada para o seu esposo” (v.2), “nova aliança” (v.3), “novas todas as coisas” (v.5) ... Enfim, o futuro é o próprio Deus que vem morar no meio do seu povo, enxugando “toda lágrima dos seus olhos” (v.4). Ele é a luz que brilha sobre nós. E Jesus, o Cordeiro, a lâmpada.

Vendo a realidade de nossas cidades e do mundo de hoje, com tantos desafios, violências, injustiças, sofrimentos, miséria humana, lamentos, choros e lágrimas, tomamos consciência que temos um longo caminho a percorrer. O futuro descrito no livro do Apocalipse alimenta a fé e a esperança. O remédio é a vivência do amor, mandamento novo deixado por Jesus, como fruto do Espírito e esforço humano. A Eucaristia é o nosso alimento.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo diocesano.