Franca, 21 de Julho de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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28/05/2019 - Ascensão do Senhor.


Quando recitamos o Creio, professamos a nossa fé na ascensão de Jesus: afirmamos que Ele “subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos”.

O Catecismo da Igreja Católica diz que “a ascensão de Cristo assinala a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celeste de Deus, de onde voltará, até lá, no entanto, o esconde aos olhos dos homens” (CIgC, 665).

A ascensão é a celebração da exaltação do senhorio de Jesus. É o coroamento da sua caminhada entre nós. Ele agora está em plena comunhão, sentado à direita do Pai. Por isso, é o único mediador entre Deus e as pessoas.

A glorificação do Senhor é um mistério, não se explica com a razão humana. Só os olhos da fé nos leva a celebrar a glória e o senhorio de Jesus.

A festa solene da ascensão de Jesus nos leva a meditar duas dimensões essenciais da nossa fé.

Contemplamos o Senhor na sua glória. Nosso desejo é o céu. Nossa mente e o nosso coração se voltam para o alto, para onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Em Jesus, a nossa natureza foi exaltada. Celebramos essa graça na fé e no desejo. Deus é o nosso desejo. Só nele encontramos a verdadeira felicidade.

A vida interior é essencial na Bíblia e na experiência cristã. Mas na sociedade atual a interioridade perdeu espaço. O que vale é o exterior, a matéria, o rumor, o barulho, a distração. Mais cedo ou mais tarde, vem o vazio. Pois nenhuma ação legítima se sustenta se Deus não estiver na sua origem. Antes de servir, devemos nos colocar aos pés do Senhor e, em silêncio, escutá-lo. Na intimidade, nos reabastecemos. Depois da escuta amorosa e silenciosa, temos o que oferecer.

Mas a nossa espiritualidade não pode se voltar apensas para o alto. A vida cristã não é apenas vertical, mas se concretiza na missão.

“Jesus foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo” (At 1,9). O encontro com Jesus se dá por meio dos sinais simbólicos da liturgia. Por isso, percebemos a sua presença quando estamos reunidos em torno da Palavra e da Mesa Sacramental.

Os olhos da fé nos levam a compreender que ao subir ao céu, Jesus não nos abandonou. Ele age agora através do Santo Espírito. Dois efeitos são essenciais nessa ação: o Espírito ilumina os mistérios e as verdades da fé; também infunde em nossos corações o Amor de Deus que nos purifica e nos santifica.

“Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,48). Agora é tempo do Espírito, tempo da ação, tempo da missão, do apostolado, do testemunho (cf. At 1,8). É tempo de servir.

Somos filhos de Deus. O Batismo nos insere no corpo do Senhor. Participamos da sua vida. Subimos ao céu com Jesus, mas enquanto não se realiza plenamente em nosso corpo o que o Pai prometeu, estamos em missão. “Vós sereis testemunhas de tudo isso... Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus” (Lc 24,48.52).

A festa da Ascensão do Senhor nos ensina a buscar nele a força necessária para a missão. Dessa experiência intima brota a consciência missionária que se concretiza nas obras. A garantia do sucesso está na efusão do Espírito.

Rezemos pelo 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o Tema: “Somos membros uns dos outros (Ef4,25). Das comunidades às comunidades”. Que Deus abençoe todos os profissionais da comunicação.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.