Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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04/06/2019 - Solenidade de Pentecostes


A festa solene de Pentecostes conclui o Tempo da Páscoa. Para os israelitas, Pentecostes era uma festa da roça, ligada às colheitas. Mais tarde tornou-se uma festa religiosa, para recordar o dia em que Moisés recebeu a Lei das mãos do Senhor, no monte Sinai. Para os cristãos, Pentecostes celebra a experiência narrada por Lucas nos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11), onde os discípulos receberam o Espírito Santo. Este fato marcou o nascimento da Igreja e a marcha do testemunho.

O Evangelho de João também apresenta a manifestação de Jesus aos apóstolos (Jo 20,19-23). A cena nos convida a acolher: a presença de Jesus ressuscitado, a paz, a alegria, o perdão, a Igreja, a cura do medo, a missão e o testemunho. Mas o dom maior é o próprio Espírito.

Quem é o Espírito Santo?

Em uma de suas viagens missionárias, quando estava em Éfeso, Paulo encontrou alguns discípulos e lhes perguntou: “Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé”? Eles responderam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!” (At 19,1-2). Será que conosco acontece a mesma coisa? Sabemos que existe o Espírito Santo. Mas muitos não possuem uma compreensão clara da teologia do Espírito.

O termo hebraico ruah tem vários significados: ar, brisa, vento, sopro, fôlego, respiração, hálito e outros. Em Gênesis 1,1, algumas traduções bíblicas optam por “espírito de Deus”. As imagens descritas exprimem poder, liberdade, bondade, delicadeza, intimidade, quietude e transcendência do Espírito Divino. A respiração é aquilo que há de mais íntimo e vital na vida humana. No Antigo Testamento, o espírito é algo dinâmico, o princípio da vida e da atividade vital. No Novo Testamento, o termo grego que traduz espírito, com significados semelhantes ao termo hebraico, mas também com algumas originalidades, é pneuma.

O Espírito Santo é uma pessoa. É a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus. Procede do Pai e do Filho. É consubstancial ao Pai e ao Filho.

O Espírito de Deus é Santo, pois a natureza de Deus é a santidade.

Ele é criador. É o princípio da criação das coisas. Transforma o caos em harmonia. Ele cria e renova a face da terra.

É o intercessor, o advogado, o paráclito. Age em nosso favor, auxilia, protege e sustenta.

O Espírito é a fonte de água viva. É também o fogo que purifica, transforma e destrói em nós o pecado. É o amor, a unção divina, o doador dos dons.

Como o Espírito age em nós? No Batismo e na Confirmação celebramos o dom do Espírito. Somos marcados por sua presença e por sua unção. Ele nos concede dons para a nossa santificação - edificação pessoal, e para o serviço na Igreja - missão.

O Espírito age em nós, mas com a nossa participação. Daí algumas atitudes da nossa parte: desejo, docilidade, humildade e oração.

A ação do Espírito em nós é como o novo dia que inicia, como a luz que substitui as trevas da noite, trazendo esperança. Fazer a experiência do Espírito é entregar as rédeas da própria vida ou as chaves da própria casa a Deus.

A ação do Espírito em nós nos leva a viver os frutos (Gl 5,22-23): amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio de si.

Dom Paulo Roberto Beloto, bispo diocesano