Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

Voltar

27/06/2019 - São Pedro e São Paulo, Apóstolos


São Pedro e São Paulo, Apóstolos

O cristão é uma pessoa que crê (fé), espera (esperança) e ama (caridade). São Pedro e São Paulo nos ajudam na acolhida e na prática das virtudes teologais.

São Pedro e São Paulo e a virtude da fé.

Se há um pressuposto na vida cristã, este é a fé. Esta virtude nos coloca na presença de Deus e na presença do seu amor. É a porta de entrada no coração de Jesus e na vida cristã.

A fé é dom de Deus, mas precisa ser acolhida e cultivada. Ela nos ajuda a acolher a graça de Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão e a força do Espírito Santo.

Pedro e Paulo foram seduzidos pelo Senhor, pelo Reino e pelo Evangelho. São pessoas de profunda fé. Tanto um como o outro nos ensinam que no caminho da fé há um duplo chamado: primeiro, quando Deus nos seduz, “atraindo-nos a si com vínculos de doçura e de amor terno e fascinante. É a época do encontro, a primavera dos sonhos, das esperanças, dos grandes projetos, que iluminam e fazem arder o coração” (Bruno Forte). O segundo chamado é aquele no qual Deus parece nos pedir o sacrifício daquilo que nos havia dado. É a época da prova, em que devemos confiar, mesmo nas noites escuras da vida. A fé foi o sustento nas vidas de Pedro e Paulo.

Esses apóstolos nos ensinam que para Deus tudo é possível. Aprendemos com eles a confiar apesar de tudo, também no tempo do silêncio de Deus. Quem tem fé sabe que Deus é Deus e que devemos confiar sempre.

O Papa Francisco diz que devemos “recuperar o caráter de luz que é próprio da fé, pois, quando a sua chama se apaga, todas as outras luzes acabam também por perder o seu vigor”. A luz da fé ilumina toda a existência humana.

A noite não impede um peregrino de seguir o seu caminho. Uma lanterna, a luz da lua ou até as próprias estrelas permitem que se prossiga em meio à escuridão. Mesmo que todo o resto permaneça no escuro, os focos de luz iluminam a porção desejada do caminho. Não é possível esta empreitada em meio a uma tempestade. O peregrino não sabe mais onde se encontra. Corre o risco de cair em um buraco, ficar dando voltas no mesmo lugar e se perder.

O cristão consegue prosseguir dentro da noite da vida, embora esta seja, às vezes, densa, escura: sua fé ilumina as trevas. Sem a fé, passamos da noite à tempestade. Ficamos perdidos.

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7).

São Pedro e São Paulo e a virtude da esperança.

Pedro e Paulo têm uma convicção profunda para viver o Evangelho e enfrentar os problemas, sem desanimar.

Como carregar a cruz sem perder a paz e a esperança? A nossa força é a presença de Deus. Ele nos salva por sua graça.

Um menino pode passar por muitos lugares estranhos e desconhecidos, mas se, em cada um deles, souber reencontrar o rosto do seu pai, ele supera o medo provocado pelo desconhecido, e vai tranquilo.

Se soubermos reencontrar sempre o rosto de Deus, não teremos medo de nada. O seu rosto é a raiz do Evangelho de Jesus e é o sentido e a força da nossa vida e caminho.

Pelos merecimentos de Jesus Cristo e de sua paixão, Deus nos guarda na “esperança que não decepciona” (Rm 5,5). “Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir” (1 Pd 3,15).

São Pedro e São Paulo e a virtude da caridade.

Deus nos ama primeiro e toma a iniciativa em nos salvar. Ele nos ama em nossa condição de pecadores e nos justifica. A graça de Deus é maior que os nossos pecados.

Essa experiência da bondade de Deus foi a luz que guiou as vidas de Pedro e Paulo. Jesus é o nosso parente mais próximo, o Servo que se entregou a si mesmo por amor como resgate para nos restabelecer. Esta Boa Notícia modificou e orientou por completo a vida desse santos.

A gratuidade da salvação é o coração do anúncio cristão. Em Jesus somos criaturas novas. Nada nos poderá separar do seu amor.

p>Somos “amados de Deus e chamados santos” (Rm 1,7). O seu amor “foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Nada “será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,39). Não devemos nada a ninguém, “a não ser o amor... pois quem ama o próximo, cumpre plenamente a Lei (Rm 13,8). “Amai-vos uns aos outros, de coração e com ardor” (1 Pd 1,22).

A experiência da fé, da esperança e da caridade de Pedro e Paulo os levou a entregar suas vidas a Jesus. O ideal cristão é ser como Jesus. O desejo maior é estar com Cristo, Ele é a nossa riqueza. Somos servos seus.

Sem o amor de Deus, sem a fé e a esperança do Evangelho, nada somos.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.