Franca, 19 de Setembro de 2019

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

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02/07/2019 - 14º Domingo Comum


“Quando estavam para se completar os dias de sua exaltação, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém” (Lc 9, 51). Quase a metade do Evangelho de Lucas trata dessa viagem (Lc 9,51-19,27). Em Jerusalém ele realiza a passagem deste mundo para o Pai. Ali se concretiza a sua missão: a entrega de sua vida e da Igreja.

No caminho, Jesus ensina, orienta e envia os discípulos. Ele precisa de colaboradores para o anúncio do Reino. Lucas 10,1-12.17-20 trata da missão.

Algumas orientações se destacam na missão e na identidade dos discípulos.

O chamado e o envio são iniciativas do Senhor. O Pai é o dono da messe. Os discípulos são colaboradores.

p>A missão requer a união dos missionários: são enviados dois a dois. 72 indica a totalidade na participação: todos colaboram. A comunhão na Igreja é sinal de obediência ao Senhor e sintonia com a sua vontade.

A oração é o alimento no trabalho missionário. Como Jesus, os discípulos rezam. A oração coloca os missionários em comunhão com Deus e a buscar nele a força, o amor e as graças necessárias. Orar é acolher a unção do Espírito e tomar consciência de nossa pertença ao Pai. É preciso permitir que Deus nos amamente, nos carregue ao colo, nos acaricie e nos console. Dessa experiência vem o nosso vigor (Is 66,12-14).

Os discípulos devem estar prontos para enfrentar desafios e resistências à missão. Mas a cruz de Cristo é a nossa glória (Gl 6,14).

A pobreza e a simplicidade são condições para se entrar na dinâmica do Reino.

Os discípulos são portadores da Boa Nova do Reino de Deus: a paz, a cura dos doentes, a libertação do mal são sinais.

A alegria não é fruto do voluntarismo dos discípulos, mas das maravilhas que Deus realiza em suas vidas.

Dois acentos na Liturgia da Palavra:

1 – O valor da ação missionária.

A Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 destacam na sua identidade quatro pilares: a Palavra, o Pão, a Caridade e a Ação Missionária. Alimentados pela Palavra de Deus e pelo Pão da Eucaristia, inspirados na Caridade fraterna, os discípulos se colocam em estado permanente de missão, pois evangelizar é a vocação da Igreja, o paradigma de toda a ação eclesial.

2 – O bem que é a paz.

“Eis que farei correr para ela a paz” (Is 66,12). “A paz esteja nesta casa!” Na Bíblia, “shalom” é a totalidade dos bens, sinal da presença de Deus. Jesus é a nossa paz: Ele veio revelar o amor de Deus, derrubando “o muro da inimizade”, formando “um só homem novo”, reconciliando as pessoas, anunciando a paz (Ef.14-17). A paz trazida por Jesus é a paz interior que ninguém tira.

Há algumas condições e exigências essenciais para a concretização da paz: a prática verdade, da justiça, do amor, da liberdade, da tolerância, do perdão, o desenvolvimento dos povos, a superação da pobreza e desigualdades sociais, a superação dos conflitos, o desarmamento. Haverá paz na medida em que a humanidade for capaz de descobrir a sua vocação de ser uma única família, regulada pelos princípios de fraternidade, responsabilidade, sobriedade, generosidade, respeito e solidariedade.

Dom Paulo Roberto Beloto,

Bispo Diocesano.