Franca, 18 de Outubro de 2017

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

03/10/2017 - 27º Domingo do Tempo Comum



‘‘O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos’’ (Mt 21,43)

A liturgia da Palavra do 27º domingo comum nos apresenta uma singela imagem, comum na Bíblia, que retrata o relacionamento de Deus com seus povo: é a imagem da vinha, presente na primeira leitura (Is 5, 1-7) e no Evangelho (Mt 21, 33-43). A vinha expressa a aliança de Deus com o seu povo.

Isaías dramatiza um poema de amor. É a canção do amigo que possuía uma vinha em terreno fértil, lugar adequado para o cultivo de uma videira.

O poema fala das decepções que o amigo teve com a sua amada. Tudo o que era possível fazer para que a vinha produzisse, foi feito: cercada, limpada, e teve plantas escolhidas. Ao seu redor foi levantada uma cerca e uma torre no centro para a sua proteção. Até um lugar para pisar as uvas foi construído.

O resultado da colheita era quase certo. Mas o que a vinha produziu? Uvas azedas. O camponês fica frustado com o insucesso. De quem é a culpa?

Quem ouve a canção é chamado a dar a sua opinião e fazer um juízo. O que ainda poderia ter sido feito pela vinha? Por que os resultados negativos?

A vinha será abandonada. A sua cerca e os seus muros destuídos. Ficará inculta e selvagem. Não será podada nem lavrada. Nem a chuva ela terá. Será devastada, pisoteada, e os espinhos e sarças tomarão conta dela.

O versículo 7 é o desenlace do poema. A vinha é a casa de Israel e o povo de Judá. Deus é o dono da vinha. Cuidou dela como uma dileta plantação. Mas o povo não foi fiel. Deus se frusta com a sua resposta. Não foi capaz de produzir frutos de justiça e bondade, Mas, sim, produziu a iniquidade.

O que pode acontecer com um povo que não vive o direito e a justiça?

O Evangelho narra uma cena de Jesus no Templo de Jerusalém, diante dos anciões e chefes dos sacerdotes. Ele conta a estória do propietário de uma vinha que foi plantada, cercada e nela foram construídos um lagar e uma torre. Estava pronta para produzir frutos.

A vinha foi arrendada a vinhateiros, enquanto o dono foi viajar. Por ocasião da colheita, os empregados foram receber os frutos. Tiveram um tratamento inesperado: foram maltratados, espancados e apedrejados, e até mortos pelos vinhateiros.

Após duas tentativas, o dono enviou o próprio filho. Asua sorte foi mais trágica ainda. Foi assassinado fora da vinha.

O que fazer com esses vinhateiros? Responderam a Jesus os sumos sacerdotes e os anciões do povo: ‘‘deverão ser mortos de modo violento’’. A vinha deverá ser arrendada a outros vinhateiros que entregarão os frutos no tempo certo.

Quando Jesus contou esta parábola, narrou a sua própria história. A vinha é o povo. Deus é o dono que cuida dela com amor e carinho. Os vinhateiros são as lideranças que devem cuidar do povo como convém. Mas o que fizeram? Os profetas foram maltratados e mortos. Ao amor de Deus, as lideranças respondem com violência.

Jesus é o filho herdeiro. É a última tentativa do Pai. Ele é rejeitado e morto fora da vinha.

O que fazer com essas lideranças que não produzem frutos de justiça e ainda rejeitam a pedra angular?

O povo de Deus é formado e sustentado por aqueles que acreditam e aceitam Jesus como Senhor e Deus. Ele é a pedra fundamental do novo povo de Deus.

Após a morte de Jesus, a Igreja recebeu a incumbência de cuidar deste povo.

Deve cuidar com amor e carinho. Deve produzir frutos de justiça e direito.

Dom Paulo Roberto Beloto,

                                          Bispo Diocesano