Franca, 13 de Dezembro de 2018

Diocese de Franca

CNBB - Regional Sul 1

28/09/2018 - “Homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27)



Com relação aos fatos ocorridos na Escola Estadual “Homero Alves”, na cidade de Franca, permitam-me algumas considerações.

1 – A Igreja vê a sexualidade, muito além dos dados biológicos, físicos e comportamentais, como uma dimensão profunda do ser humano. É uma graça que Deus concede a um homem e a uma mulher. Faz parte integral da existência humana. “Ela afeta todos os aspectos da pessoa humana... diz respeito particularmente à afetividade, à capacidade de amar e procriar” (CIgC, 2332). Através da sexualidade, homem e mulher são chamados a dar a vida.

A sexualidade é caminho de integração, de doação e de encontro. É fator de personalização e socialização. Ela desabrocha na amizade e no compromisso com os outros. Há um ideal de uma sexualidade sadia, que nasce do conhecimento de si, da descoberta do seu valor e da importância de se conservá-la sadia. Por isso, deve ser bem orientada, disciplinada e canalizada pela vontade, inteligência, amor e verdade, com alegria e oblação, de acordo com o estado de vida. A educação para a sexualidade sadia deve harmonizar as duas forças existentes no ser humano: a inclinação sexual e o pudor.

Mas devemos ter consciência da ambiguidade da sexualidade: ela pode gerar desintegração, quando o prazer torna-se um fim em si mesmo e comanda a vida. Atualmente há um apelo exagerado para a prática sexual, um erotismo que desvia a consciência do sentido verdadeiro da sexualidade e isenta as pessoas da sua responsabilidade. O sexo virou uma coisa banal. Como ele é tratado nos dias atuais, dificulta e atrapalha, e muito, a vivência da sexualidade sadia de nossos adolescentes, jovens e até adultos.

Também hoje há uma propaganda sem critérios de certos comportamentos e ideologias, como o mito que a atração pelo mesmo sexo é geneticamente predeterminada, ou que se pode escolher o que se quer ser, que no lugar de contribuir, confunde e gera desordens e experiências traumáticas, tornando a sexualidade sadia mais difícil. Grande número de profissionais sérios definem que a atração pelo mesmo sexo tem várias razões diferentes, e que cada pessoa tem uma história de vida diferente e pessoal que deve ser respeitada.

Partindo do ideal acima, a Igreja procura orientar os seus fiéis para a acolhida e a vivência sadia, casta e ordenada desta graça que Deus nos deu. Nenhuma pessoa em sã consciência pode se declarar oprimida, ofendida, marginalizada e discriminada se escolher com sua inteligência e vontade este caminho. A Igreja também acolhe e orienta com respeito e misericórdia àqueles que procuram ajuda
.
2 – Aos profissionais de nossas escolas, nosso apoio e incentivo na sublime vocação de ensinar. Acreditamos que a educação é uma atividade humana fundamental na ordem da cultura, com a finalidade de promover, humanizar e personalizar a pessoa, integrando-a no meio social, despertando sua posição crítica, para a liberdade. As crianças e os adolescentes têm o direito de serem estimulados a apreciar com reta consciência os valores morais, também na área da sexualidade, prestando aos mesmos sua adesão pessoal e, também de serem estimulados a conhecer e amar o bem e a verdade.

3 – Aos pais e as famílias, acompanhem de perto a formação de seus filhos. Transmitam a eles afeição, atenção, proteção, amor e carinho.
Procurem conversar com os filhos, ajudando-os nos relacionamentos e na convivência fraterna, a superar dificuldades e a não ser escravos dos problemas. Oriente seus filhos para uma aceitação do corpo, sabendo cuidar dele e a respeitar os seus significados, a ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade.

Procurem se informar sobre os sintomas da desordem de identidade de gênero e da prevenção dos problemas de identidade de gênero. Procurem profissionais qualificados e moralmente preparados para essa ajuda.

4 – Às crianças, adolescentes e jovens, não acolham ou aceitem imposições de comportamentos estranhos a sua verdadeira vocação humana.
Partilhem as suas dúvidas e preocupações com pessoas da família, da escola, da igreja ou de confiança. Amem a sua sexualidade e procurem conduzi-la no caminho reto, alegre e de verdadeira realização humana.Dom Paulo Roberto Beloto,Bispo de Franca – SP.