32º Domingo do Tempo Comum

“Creio na ressurreição da carne”, afirma um dos artigos do Credo cristão. No Símbolo Niceno-Constantinopolitano, rezamos: “E espero a ressurreição dos mortos”. Este é o assunto da Liturgia da Palavra do 32º Domingo do Tempo Comum, Ano C: a ressurreição dos mortos.

A primeira leitura, em 2 Mc 7,1-2.9-14, ao tratar do martírio da mãe e dos sete irmãos Macabeus, apresenta de maneira clara a crença na ressurreição, nas respostas de resistência de dois dos filhos ao rei Antíoco Epífanes, que queria obrigar os mesmos a infringir a Lei, comendo carne de porco: “Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna’ (2 Mc 7,9); “Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida!” (2 Mc 7,14). A ressurreição é apresentada como ação do poder de Deus e de sua compaixão para aqueles que são fiéis e justos.

Na época de Jesus, os saduceus, representantes da aristocracia sacerdotal de Jerusalém, não acreditavam na ressurreição. Apresentaram a Jesus um exemplo absurdo, para colocá-lo à prova, do irmão mais velho de uma lista de sete, que morreu sem deixar filhos, assim sucessivamente todos os outros e, por fim, a viúva: “Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela” (Lc 20,33).

Jesus respondeu que na vida futura, “os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos”, terão uma experiência diferente desta, serão “filhos de Deus”, “iguais aos anjos” (Lc 20,36). Após à morte, a existência humana é transfigurada, sem os limites da vida terrestre; é como a vida divina. A ressurreição é graça de Deus, vem pela sua onipotência.

Lembrando o episódio da sarça ardente (Êx 3,1-6), quando Deus se proclamou a Moisés, como o “Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”, afirmando que Ele é o “Deus dos vivos, pois todos vivem para ele” (Lc 20,38), Jesus afirma também que os patriarcas estão vivos, que ressuscitaram para a eternidade.

A nossa fé é a ressurreição de Cristo: Ele “morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras”, prega Paulo. Ainda mais, diz o apóstolo: “Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé” (1 Cor 15,3-4.13-14).

O cristianismo depende da ressurreição. Este fato revela que o amor de Deus é mais forte que os limites humanos, que a vida vence a morte, e que ela é o penhor da nossa ressurreição.

“Cremos firmemente – afirma o Catecismo da Igreja Católica, que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que ele os ressuscitará no último dia” (CIC, 989).

A ressurreição dos mortos, entendendo essa promessa de Deus como uma experiência de comunhão plena com Ele, quando os justos reinarão com Cristo para sempre, glorificados em corpo e alma, é uma chama de esperança e dinamismo para a vida presente. Esse dado de fé nos impele a assumir a vida com paixão e liberdade: “A esperança da ressurreição é a raiz de toda boa ação; A espera da retribuição fortalece a alma para o cumprimento do bem” (Cirilo de Jerusalém).

Que a nossa fé na ressurreição anime os nossos corações e nos confirme “em toda boa ação e palavra”; E que o Senhor ressuscitado dirija os nossos “corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo” (2Ts 2,17; 3,5).

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano