33º Domingo do Tempo Comum

Lc 21,5-19

Estamos encerrando o Ano Litúrgico. O tema próprio de reflexão é a escatologia: os últimos tempos, as últimas coisas, a consumação da história. Como a Igreja entende a escatologia?

Celebramos a presença de Jesus na história em duas dimensões diferentes.

Ele veio a primeira vez na sua encarnação, anunciando, antecipando, e aproximando o Reino de Deus. Jesus Cristo é a realização da salvação. Com Ele, o tempo já começou e as realidades futuras iniciaram-se.

Agora, somos convidados a construir o futuro. A ressurreição do Senhor colocou a história na plenitude dos tempos e nós somos chamados a participar dessa vitória. Tudo volta-se para Ele e para sua obra de redenção.

Os cristãos comprometem-se com a vida, com as realidades terrestres, em marcha para a verdadeira Pátria.

“Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!”, rezamos na liturgia.

Jesus virá uma segunda vez, “para julgar os vivos e os mortos” e inaugurar “novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça (2 Pd 3,13).

As manifestações do Senhor, na sua encarnação e na sua glória, não são motivos de apreensões e medo. Quando Deus se revela, sua bondade, misericórdia e justiça, vão além das ameaças. Por isso, devemos evitar especulações e fanatismos.

O fim do Ano litúrgico nos ajuda a refletir sobre alguns textos apocalípticos. Apocalipse é uma palavra que vem da língua grega e quer dizer revelação. Revelar é tirar o véu. Quando algo está encoberto, não enxergamos direito, por isso, é difícil o discernimento e a compreensão. É preciso revelar, tirar o véu e clarear, para que tudo seja compreendido.

Nas Sagradas Escrituras há muito textos apocalípticos. É uma linguagem comum no mundo bíblico. É um modo de se transmitir uma mensagem. Normalmente, essa linguagem surge em épocas de crises, dúvidas e perseguições. A difícil realidade aliena e cega as pessoas, que não conseguem mais discernir, ficam sem saídas e esperança. Como perceber a presença de Deus? Utilizando sinais, imagens fortes, abalos cósmicos, o texto apocalíptico procura iluminar os fatos com a luz da fé. Não é uma mensagem que remete ao futuro, mas transmite conforto, ânimo, esperança, chama a atenção e desperta a fé e a ação para o presente. Deus é o Senhor da história, que age salvando o seu povo fiel, conduzindo-o para a vida.

Lucas 21, 5-19 descreve a destruição do Templo de Jerusalém (Lc 21,6) e os fins dos tempos. Orienta a comunidade sobre seu comportamento. Pede atenção aos falsos profetas, serenidade e firmeza diante das catástrofes e perseguições: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19).

Jesus é o Senhor que liberta, pois revela a verdade sobre Deus e sobre a humanidade. No meio de tantos acontecimentos só há uma fonte de salvação: a fé na vitória de Jesus. Permanecendo firme na fé, vivendo intensamente o agora, praticando o amor e a fraternidade, a comunidade cristã tem sua segurança: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo a salvação em suas asas” (Ml 3,20ª). “Trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio, pão” ( 2 Ts 3,12).

Dom Paulo Roberto Beloto,   Bispo Diocesano.