Ano novo, vida nova!

Assim diz o ditado popular. Mas nada acontece ao acaso. Naquilo que é bom, justo e reto, em nossa vida, primeiramente é mais ação de Deus, do que esforço humano. A graça é o seu favor, o socorro gratuito que Ele nos dá. Ela é dom do Espírito Santo que nos justifica e nos santifica. Recebemos gratuitamente dons e talentos.
O apóstolo Paulo dizia: “É pela graça de Deus que sou o que sou” (1 Cor 15,10). Quando ele afirma essa verdade, está se referindo a uma nova situação de vida que o Senhor lhe concedeu, a vida nova, nascida da relação com Cristo Jesus.
A graça supõe a natureza e a aperfeiçoa. Que ensinamento brilhante na nossa espiritualidade cristã! Nós respondemos também com a nossa pobreza.
A nossa existência, em todas as suas dimensões, exige esforço, disciplina, vigilância, prontidão, programa, atenção e ascese. Não se trata de um caminho que reivindica direitos, vantagens, gratificações perante Deus, pessoas, coisas ou circunstâncias. Mas uma vida orientada segundo a vontade do Pai, que prima os valores humanos e cristãos. O nosso ser, a nossa inteligência, os nossos pensamentos, sentimentos e afetividade, os nossos dons, as nossas capacidades, as nossas ações devem polarizar-se para o bem. Por que tudo isso? Porque a pessoa limitada em nós muitas vezes fala mais alto, e as consequências, com certeza virão.
Daí a importância da modéstia, da humildade, da temperança, da vigilância, de saber orientar e dirigir bem a vida, de saber priorizar, discernir o que é central, o que é mais importante e de fato edifica. É preciso sensatez e prudência para se construir a casa sobre a rocha (Mt 7, 24-25).
Proponho um programa de vida. Muitos até se retiram para algum lugar, para um recolhimento, um momento de silêncio – tão fundamental em nossos dias. E ali, consigo mesmo, na intimidade com o Senhor, com sua Palavra -, conhecendo bem sua vida, seus afazeres, compromissos, deixa brotar apelos e indicações.
Um programada de vida tem como centro buscar aquilo que de fato é prioridade: a vontade de Deus. Afinal, não rezo constantemente: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”? Qual é a sua vontade para a minha vida? A vontade do Pai nunca vai contrariar a vontade mais profunda e autêntica de cada pessoa. Ela é o melhor que pode acontecer em nossa vida, está em harmonia com os nossos dons e qualidades. Integra e equilibra a vida.
É bom lembrar que fazer a vontade de Deus, não significa ausência de problemas, decepções, desafios, crises, carências, perdas. Mesmo diante de tudo isso, a pessoa tem certeza e segurança que está indo para o melhor caminho. 
O ser humano é capaz de se autodeterminar livremente, guiado pelo Espírito e pela consciência, em direção ao que dá sentido à sua vida e aos valores.
Uma indicação para se fazer um programa de vida para 2020.
1 - O que Deus quer de mim? Na minha relação com Ele? Na minha relação com as pessoas? Na minha relação com as coisas, com a natureza? Na minha relação comigo mesmo?
2 - Olhando as diversas áreas ou campos da minha vida.
Na minha vida espiritual: O que fazer? Por quê? Como?
Na minha vida familiar: O que fazer? Por quê? Como?
Na minha vida comunitária (Igreja): O que fazer? Por quê? Como?
No meu trabalho: O que fazer? Por que? Como?
Na minha formação: O que fazer? Por quê? Como?
Na minha vida física (saúde, descanso, lazer): O que fazer?
Por quê? Como?
Na minha vida afetiva (amizade, sexualidade): O que fazer? Por que? Como?
Não projete muitas coisas, que você depois não vai dar conta. Pense no básico, no essencial, naquilo que precisa, de fato, ser programado.
Se quiser, pode escolher uma frase pessoal, um versículo bíblico que sintetiza a sua intuição central, ou que seja de inspiração para o projeto.
O que se propõe deve ser avaliado periodicamente, pelo menos uma vez ao mês. Se falhou em alguma coisa, não desista. A grandeza do ser humano está em recomeçar a cada dia. Confie em Deus, na sua graça e nas suas capacidades.
“Esquecendo o que fica para trás, lanço-me em direção à meta, para conquistar o prêmio que, do alto, Deus me chama a receber, em Cristo Jesus” (Fl 3,13-14).

Dom Paulo Roberto Beloto, Bispo Diocesano.