Solenidade de todos os santos

  A Igreja celebra numa só festa os méritos de todos os Santos. É ocasião para pedir a misericórdia divina, por esses intercessores. Rezamos no prefácio da Missa dos Santos que Deus nos oferece, por essas testemunhas, “um exemplo para a nossa vida, a comunhão que nos une e a intercessão que nos ajuda”. Assistidos pelos Santos e Santas, também nós podemos “correr, com perseverança, no certame que nos é proposto e receber com eles a coroa imperecível, por Cristo, Senhor nosso”.  Esse é o sentido da veneração aos santos.

Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, que se entregou para nos resgatar (1 Tm 2,5). Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, que nos leva ao Pai (Jo 14,6). É o nosso Senhor e Salvador, modelo de santidade e de realização definitiva do ser humano.

O Batismo no insere no corpo de Cristo e nos confere a santidade: criaturas novas, filhos de Deus, templos do Espírito Santo. Por isso, ser santo é viver a dignidade deste sacramento.

Jesus Cristo é a cabeça de um corpo, do qual somos membros. Há uma comunhão de vida e de interesse entre Jesus Cristo e os cristãos. Há também uma comunhão de cada cristão com os méritos de Cristo e o tesouro da Igreja, como há uma comunhão entre todos aqueles que comungam com o tesouro dos méritos de Cristo, comunicado pelos sacramentos. Comungando com Cristo, comungamos entre nós. Por isso, há uma solidariedade entre os fiéis de Cristo uns com os outros e com os demais homens e mulheres. Todos aqueles que vivem em comunhão com Jesus Cristo, podem rezar pelos seres humanos (Rm 1,9; Ef 6,18-20; Tg 5,16), mesmo um pecador, em virtude de sua fé.

A comunhão entre os membros de Cristo não é interrompida com a morte. Entre os peregrinos na terra e os consumados no céu há vínculos de solidariedade fraterna. Os que deixam de morar no corpo, vão “morar junto do Senhor” (2 Cor 5, 8). E se morreram na graça e na amizade de Deus, totalmente purificados, “vivem para sempre com Cristo”, “semelhante a Deus” (CIgC, 1023), podendo interceder por nós, pois os laços de amizade e compromisso permanecem. Deus, autor da comunhão dos fiéis, faz com que os que estão no céu conheçam as nossas preces e orem por nós.

O Senhor é a única fonte de todas as graças. Quando pedimos aos santos, acreditamos que os mesmos intercedem por nós, pois estão em comunhão com Ele. Sabemos que os santos não podem fazer algo por nós, a não ser que o próprio Deus, mediante Jesus Cristo, o queria. Ele faz com que os santos tomem conhecimento de nossas necessidades e nossas preces, a fim de que possam interceder por nós na gloria.

Adoramos ao Pai e ao Filho, na unidade do Espirito Santo. Cultuamos o santos em função de Cristo. Essa atividade não é idolatria. Veneramos os santos através das imagens, como recursos catequéticos, prática que existe desde o início do cristianismo. Veneramos os santos com as nossas orações e novenas. Mas o melhor lugar de veneração é a liturgia, principalmente a Santa Missa, quando nos unimos mais estreitamente ao culto da Igreja celeste.

A Igreja venera e implora o auxílio da gloriosa Virgem Maria, dos apóstolos, dos mártires, dos santos anjos, dos pastores e de todos aqueles que imitaram mais de perto a Jesus Cristo, praticando as virtudes cristãs e os carismas divinos. Além dessa intercessão que nos ajuda, os santos são espelhos onde devemos mirar, modelos que fé, esperança e caridade. Com eles, aprendemos a temer a Deus, a viver a fortaleza, a piedade, os conselhos e todas as demais virtudes e dons.

A santidade é dom de Deus, mas Ele conta com a nossa colaboração. As bem-aventuranças são indicações no caminho da santidade, um caminho da verdadeira felicidade, “o bilhete de identidade do cristão”, segundo o Papa Francisco.

Jesus nos ensina a pobreza no espírito, a dependência de Deus, como atitude fundamental no seguimento. A aflição nasce dessa pobreza, pois os que choram só encontram consolo nele, esperando a justiça do Reino. Também quem é pobre no espírito vive a mansidão, imitando a Jesus, que é manso e humildade de coração (Mt 11,29). Buscar a justiça é buscar o seu autor, o próprio Deus. Felizes os misericordiosos, que olham e agem com misericórdia e, na pureza de coração, na integridade e transparência, fazem a vontade de Deus. Jesus proclama feliz que semeia, promove e vive a paz. Por fim, quem abraça diariamente o Evangelho, mesmo sendo perseguido, está no caminho santidade, e é feliz.

 

 

Dom Paulo Roberto Beloto,

       Bispo diocesano.