A ressurreição de Jesus Cristo é a confirmação da sua pessoa, da sua divindade e da sua missão.
Deus o ressuscitou dos mortos “libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse” (At 2,24) e “lhe deu a glória” (1 Pd 1,21). A ressurreição é o fundamento da fé, esperança e caridade (cf. 1 Cor 15,14-17; 1 Pd 1,21).
Não se pode provar pela ciência a ressurreição de Jesus, nem negá-la. Acolhemos o que vem da Tradição: o túmulo vazio, as diversas aparições e o acontecimento no terceiro dia, após a morte do Senhor. Os fatos são narrados nos evangelhos e nos escritos dos apóstolos inúmeras vezes. São testemunhos (cf. At 2,32) de experiências exteriores que curaram as feridas, as dúvidas, a decepção e o medo provocados por sua morte. Com o tempo, a presença física do Senhor glorioso já não era mais necessária: bastava a fé e a presença no coração, que nunca se esgota.
O tempo pascal que estamos celebrando nos educa para a presença interior de Jesus, confirmando a certeza de que Ele é o Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador, caminho, verdade e vida (cf. Rm 10,9; Jo 14,6).
No 3º Domingo da Páscoa lemos, meditamos e rezamos uma das aparições de Jesus, no Evangelho de Lucas, narrada de modo catequético pelo evangelista (Lc 24,13-35). Que lições podemos tirar?
Jesus nos ensina a ler os fatos da vida à luz de sua ressurreição. A realidade é lugar de revelações, e é ali que Deus nos fala. O caminho de Emaús foi de desolações: os discípulos estavam desanimados como quem perdeu o sentido da vida. Jesus caminhou com eles, escutou-os, preocupou-se com a situação existencial dos mesmos. A difícil experiência de dor e sofrimento impedia o reconhecimento do Amigo. Não haviam compreendido o mistério da cruz. Mas a presença do Senhor e a sua fala fizeram arder os corações. Jesus fez com eles uma leitura dos fatos.
Depois, Jesus iluminou a realidade com passagens das Escrituras que falavam a seu respeito. A Bíblia, carta de amor que Deus nos deixou, ajuda a ler e a entender os fatos da nossa história. A sua revelação aconteceu aos nossos primeiros pais, no Antigo Testamento. Tornou-se plena em Jesus Cristo. A Palavra aponta um caminho, é a fonte onde buscamos a vontade e a verdade de Deus.
Por fim, Jesus participou da refeição na casa de Emaús. Ele “tomou o pão, abençoou-o, partiu-o” e distribuiu aos dois discípulos. Os olhos se abriram e eles reconheceram a presença do Senhor ressuscitado. A cena é uma alusão à Eucaristia, bem supremo espiritual da Igreja porque contém o próprio Cristo, nossa Páscoa e Pão vivo, que com sua carne dá vida ao mundo. O que importa é caminhar como irmãos, viver em comunidade e partilhar o pão.
Ao retornarem à Jerusalém, os discípulos encontraram os “Onze reunidos com os outros”, que confirmaram a ressurreição do Senhor. A comunidade reunida é lugar da revelação do Senhor ressuscitado.
Viver a Páscoa é deixar-se guiar pelo Espírito Santo de Deus e por sua graça. Ele ilumina a nossa existência: na Vida, na Palavra e na partilha do Pão.
Dom Paulo Roberto Beloto,
Bispo Diocesano.